A BYD lançou nesta segunda-feira (06) uma nova versão do Dolphin no Brasil, com mais potência, equipamentos e mudanças no interior, em uma tentativa de manter o modelo competitivo em um mercado de carros elétricos que ficou mais disputado. Para o consumidor, a atualização significa um carro mais completo — e para a montadora, um movimento para recuperar espaço em um segmento que mudou rapidamente.
Logo após o lançamento em 2023, o BYD Dolphin dominou o mercado de elétricos no país. Agora, com novas opções surgindo e o avanço de modelos mais acessíveis, o cenário ficou mais desafiador — exigindo uma atualização mais estratégica do produto.
O que mudou no novo BYD Dolphin
A principal mudança está no conjunto técnico. O veículo passa a entregar 177 cv de potência, mantendo o motor elétrico e o câmbio automático, mas com desempenho mais competitivo diante dos rivais.
No interior, a BYD fez ajustes para melhorar a experiência do usuário, tornando o carro mais alinhado com o padrão atual do segmento, que passou a exigir mais tecnologia embarcada e acabamento refinado.
Além disso, o modelo ficou mais equipado, reforçando a proposta de valor em uma faixa de preço em que o consumidor compara cada detalhe antes da compra.
Crescimento no tamanho e ajustes no design
O novo BYD Dolphin ganhou um novo desenho na iluminação em LED e ficou 15,5 centímetros mais comprido, chegando a 4,280 metros. O aumento veio principalmente do novo para-choque, que também alterou levemente o visual.
Apesar disso, o modelo manteve dimensões importantes, como o entre-eixos de 2,700 metros — o mesmo de um Toyota Corolla — preservando o espaço interno, que é um dos pontos fortes do carro.
Ficha técnica do novo BYD Dolphin
- Motor: elétrico
- Potência: 177 cv
- Torque: 29,57 kgfm
- Câmbio: automático
- Comprimento: 4,280 m
- Largura: 1,770 m
- Altura: 1,570 m
- Entre-eixos: 2,700 m
- Porta-malas: 250 litros
- Bateria: 45,12 kWh
- Autonomia: não divulgada
Mercado mudou e pressão aumentou
Quando chegou ao Brasil, em junho de 2023, o Dolphin praticamente não tinha concorrentes diretos. O resultado foi imediato: 6.812 emplacamentos em poucos meses, com liderança ampla entre os elétricos, segundo a ABVE.
Esse cenário, porém, mudou.
Hoje, quem busca um carro elétrico compacto encontra alternativas com preços próximos, como:
- Geely EX2 (a partir de R$ 123.800)
- Chevrolet Spark EUV (a partir de R$ 156.660)
- GWM Ora 03 (a partir de R$ 169 mil)
A entrada desses modelos elevou o nível de exigência do consumidor e reduziu a vantagem inicial do Dolphin.
Desempenho perdeu ritmo e motivou atualização
Os números mostram essa mudança de cenário. Após crescer 120% entre 2023 e 2024, as vendas do Dolphin avançaram apenas 1,57% em 2025 — um sinal claro de desaceleração.
Ao mesmo tempo, o Dolphin Mini, versão mais acessível da própria BYD, ganhou força e ampliou a pressão competitiva dentro do próprio portfólio.
Em 2025:
- Dolphin Mini: 32.486 emplacamentos
- Dolphin: 15.237 emplacamentos
Ou seja, o modelo mais barato passou a vender mais que o dobro do Dolphin tradicional.
O que a estratégia da BYD indica para o novo Dolphin
A atualização do Dolphin indica que a BYD tenta reposicionar o modelo em um novo estágio do mercado brasileiro de elétricos. Se antes bastava ser uma opção acessível e inovadora, agora o carro precisa competir em desempenho, tecnologia e percepção de valor.
Por fim, na prática, o novo BYD Dolphin surge como uma resposta direta a esse ambiente mais competitivo — e como uma tentativa de voltar a se destacar entre consumidores que hoje têm mais opções para comparar.





