A visita de representantes da GRI Institute à GNR Fortaleza transformou a operação da Marquise Ambiental em uma vitrine do avanço do biometano no Nordeste. A planta instalada no Aterro Metropolitano de Fortaleza produz gás renovável a partir de resíduos urbanos e passou a atrair o interesse de investidores e empresas do setor de infraestrutura.
O encontro integrou a programação do Infra Nordeste GRI 2026, fórum que reúne lideranças dos setores de energia, saneamento e transportes para discutir projetos de infraestrutura na região. A presença de grupos como BNDES, Alstom, GS Inima e Elera Renováveis reforçou o crescimento do interesse por operações ligadas à transição energética.
Marquise Ambiental amplia atuação além da limpeza urbana
O avanço do biometano no Nordeste também expõe uma mudança no posicionamento da própria Marquise Ambiental. O grupo nasceu em Fortaleza em 1974 e construiu presença nacional em obras de infraestrutura e serviços urbanos.
A entrada no setor ambiental ocorreu nos anos 1980, inicialmente com operações de coleta e destinação de resíduos. Nas últimas décadas, a companhia ampliou atuação em saneamento, energia renovável e economia circular.
Hoje o Grupo Marquise mantém operações em áreas como:
- Infraestrutura pesada
- Resíduos sólidos
- Saneamento
- Incorporação imobiliária
- Hotelaria
- Mobilidade urbana
A estratégia aproxima a companhia de projetos considerados essenciais para a agenda de transição energética. O interesse da GRI Institute pela operação cearense reforça essa mudança de posicionamento.
O diretor-presidente da Marquise Ambiental, Hugo Nery, afirmou durante o evento que a redução de emissões depende de soluções economicamente viáveis e capazes de operar em escala.
GNR Fortaleza transforma resíduos em combustível renovável
A GNR Fortaleza opera no Aterro Metropolitano de Fortaleza e produz biometano a partir do gás gerado pelos resíduos sólidos urbanos. A unidade é considerada a primeira planta para produção de biometano do Norte e do Nordeste e a segunda maior do país.
A operação, desenvolvida pela Marquise Ambiental em parceria com a MDC Energia, grupo especializado em gás natural e biometano, tem capacidade para produzir até 100 mil metros cúbicos de combustível renovável por dia. Parte desse volume é injetada na rede da Cegás para abastecimento industrial no Ceará.
O modelo altera a lógica tradicional dos aterros sanitários. Estruturas antes associadas apenas à destinação de resíduos passaram a gerar receita energética e ativos ambientais.
A operação reúne:
- produção de gás renovável
- aproveitamento de resíduos urbanos
- redução de emissões
- geração de créditos ambientais
Segundo dados da empresa, a planta evita mais de 445 mil toneladas de CO₂ por ano. O volume colocou o projeto entre os principais ativos brasileiros ligados à descarbonização industrial.
Biometano do Nordeste ganha espaço na indústria
O crescimento do setor ocorre em paralelo à pressão por redução de emissões nas cadeias industriais. Empresas intensivas em consumo térmico passaram a buscar alternativas ao gás fóssil sem necessidade de trocar equipamentos.
Esse cenário ampliou o interesse por projetos conectados à infraestrutura urbana, como a operação desenvolvida pela Marquise Ambiental em Fortaleza. A proximidade com grandes centros consumidores passou a ser vista como vantagem competitiva para o avanço do biometano.
A estrutura da GNR Fortaleza reduz parte dos gargalos enfrentados pelo setor, como custo logístico, transporte rodoviário, perdas operacionais e dificuldade de armazenamento. O modelo também ampliou o peso do Ceará na disputa por investimentos ligados à infraestrutura verde e energia renovável.
Marquise Ambiental trabalha para expansão do setor que ainda depende de infraestrutura
A visita da GRI Institute mostrou que o Nordeste tenta ocupar posição mais relevante nessa disputa nacional. O interesse de investidores e operadores privados aumentou junto com a demanda por ativos ligados à agenda ESG.
A própria Marquise Ambiental passou a tratar o biometano como eixo de infraestrutura regional, não apenas ambiental. O movimento aproxima empresas de resíduos de um mercado historicamente concentrado em grupos tradicionais de energia.
O avanço do biometano no Nordeste transforma o Ceará em vitrine nacional de projetos que unem saneamento, energia e mercado de carbono. O momento, portanto, consolidou a Marquise Ambiental entre os principais nomes dessa nova disputa por infraestrutura energética limpa no país.



