Lucro da Renner no 1T26 dispara com margem recorde e menos descontos

A Renner ampliou lucro, margens e geração de caixa no 1T26 mesmo com consumo mais fraco. Resultado reforça mudança operacional focada em menos descontos e estoques mais eficientes.
Imagem da fachada de uma loja Renner para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro da Renner no 1T26.
Lucro da Renner no 1T26 sobe com margem e caixa recordes. (Imagem: divulgação/Renner)

A Lojas Renner (LREN3) registrou lucro líquido de R$ 257,3 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), alta anual de 16,4%, em um período ainda marcado por desaceleração do consumo e maior seletividade nas compras de vestuário.

O resultado ganhou força no mercado porque a companhia conseguiu ampliar margens, reduzir estoques antigos e acelerar geração de caixa sem depender de reajustes agressivos de preços. O desempenho reforça uma mudança operacional que começa a diferenciar a varejista dos concorrentes.

A leitura do mercado é que a Renner passou a priorizar eficiência, rentabilidade e menor risco de estoque encalhado, mesmo que isso limite parte do crescimento de vendas no curto prazo.

Lucro da Renner desafia cenário mais fraco para o varejo no 1T26

A receita líquida de varejo somou R$ 2,875 bilhões no trimestre, avanço anual de 4,3%. As vendas em mesmas lojas cresceram 3,2%. No vestuário, principal operação da companhia, a receita avançou 5,1%, com crescimento de 3,7% no indicador de mesmas lojas.

O trimestre teve uma base de comparação difícil. O primeiro semestre de 2025 havia sido favorecido por temperaturas mais frias, que aceleraram as vendas de inverno no varejo de moda. Mesmo assim, a Renner conseguiu preservar crescimento e ampliar rentabilidade em um ambiente mais pressionado para consumo discricionário.

O desempenho da Renner refletiu maior assertividade das coleções e avanço no modelo de execução de moda da varejista.

O movimento mostra uma mudança relevante no setor. Parte do varejo ainda depende de liquidações frequentes para sustentar vendas. A Renner tenta reduzir essa dependência com maior integração operacional e estoques mais eficientes.

Entre os pilares da estratégia:

  • coleções mais ajustadas à demanda
  • integração maior com fornecedores
  • produção mais reativa
  • digitalização da cadeia
  • menor volume de produtos antigos

Margem recorde reforça mudança operacional da LREN3

O avanço das margens apareceu como o principal sinal de eficiência do balanço. Os reajustes de preços ficaram próximos da inflação. O ganho operacional veio principalmente da redução da necessidade de descontos e da venda maior de produtos a preço cheio.

A margem bruta de varejo subiu 1,6 ponto porcentual, para 56,7%, recorde histórico para um primeiro trimestre. No vestuário, a margem avançou para 58%. A companhia também reduziu em 1% o estoque total, mesmo com crescimento das vendas. O estoque mais antigo caiu 15%.

Esse indicador ganhou relevância porque estoques envelhecidos costumam pressionar margens futuras e ampliar liquidações no varejo de moda. O avanço operacional impulsionou o Ebitda de varejo em 23,5%, para R$ 487,5 milhões. A margem operacional do segmento subiu para 17%.

Analistas do setor observam que a Renner começa a trocar crescimento mais acelerado por maior eficiência operacional e qualidade financeira. O movimento também diferencia a companhia em relação a concorrentes que ainda enfrentam pressão maior sobre estoques e rentabilidade.

Geração de caixa vira destaque raro no setor de moda

A geração de caixa foi um dos indicadores mais relevantes do trimestre. O fluxo de caixa livre somou R$ 258 milhões entre janeiro e março, crescimento anual de 263,7%. A companhia encerrou o período com caixa líquido de R$ 1,5 bilhão.

A Renner informou que gerar caixa no primeiro trimestre é incomum para empresas de moda, já que o período normalmente concentra preparação de coleções e maior consumo operacional. O resultado fortalece a percepção de menor risco financeiro para a companhia em um ambiente ainda impactado por juros elevados e desaceleração do consumo.

Os investimentos cresceram para R$ 106,1 milhões no trimestre.

Os recursos foram direcionados para:

  • tecnologia
  • remodelação de lojas
  • expansão operacional
  • digitalização logística
  • modernização da cadeia de abastecimento

Mesmo com o avanço operacional, o resultado financeiro ficou negativo em R$ 22,1 milhões. O desempenho refletiu menores rendimentos de caixa após recompra de ações e pagamento de juros sobre capital próprio.

Lucro da Renner no 1T26: canal digital cresce, mas logística limitou parte das vendas

O canal digital manteve expansão no trimestre. O volume bruto de mercadorias (GMV) cresceu 7,4%, alcançando participação de 16,6% nas vendas totais da varejista.

Parte desse avanço foi limitada por ajustes logísticos realizados pela companhia. A transferência planejada de estoques do centro de distribuição do Rio de Janeiro para São Paulo reduziu temporariamente a disponibilidade de produtos antigos no ecommerce.

Segundo a empresa, o impacto estimado foi de cerca de 1 ponto porcentual nas vendas do varejo no trimestre. Mesmo com o efeito operacional no curto prazo, a companhia manteve a estratégia de reduzir estoques antigos e ampliar eficiência logística.

Para o mercado, o lucro das Lojas Renner no 1T26 reforça uma nova tese para a companhia: menos dependência de descontos, maior disciplina operacional e crescimento sustentado por margem e geração de caixa, não apenas por volume de vendas.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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