Lucro da B3 sobe 33% no 1T26 com alta dos derivativos e fluxo estrangeiro

A B3 lucrou R$ 1,5 bilhão no 1T26 impulsionada pela queda dos juros, alta dos derivativos e forte entrada de capital estrangeiro.
Imagem da fachada para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro da B3 no 1T26.
Lucro da B3 sobe 33% com alta da Bolsa no 1T26. (Imagem: divulgação/B3)

A B3 (B3SA3) registrou lucro recorrente de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre de 2026 (1T26), alta de 33%, impulsionada pela expectativa de queda dos juros, avanço dos derivativos e entrada recorde de capital estrangeiro na Bolsa brasileira.

O resultado mostra uma mudança importante no mercado financeiro. Com a perspectiva de cortes na Selic, investidores aumentaram operações em ações e derivativos, elevando receitas diretamente ligadas ao giro da Bolsa.

A combinação entre maior volatilidade e fluxo estrangeiro recolocou a B3 em um ambiente operacional mais favorável. O movimento ampliou receitas pró-cíclicas e sinalizou retomada mais forte da atividade do mercado de capitais brasileiro.

Por que a queda da Selic aumenta o lucro da B3 no 1T26

A B3 registrou receita recorde de R$ 3,2 bilhões no trimestre, crescimento anual de 20%. Segundo a companhia, o avanço foi impulsionado pelo aumento da atividade de mercado e pela expansão das receitas recorrentes.

A expectativa de juros menores alterou o comportamento dos investidores. Com menor retorno esperado na renda fixa tradicional, cresceu o interesse por operações em ações, derivativos e produtos negociados em Bolsa.

A própria B3 apontou três fatores centrais para o avanço do trimestre:

  • expectativa de queda da Selic
  • maior volatilidade do mercado
  • entrada de capital estrangeiro

Esse cenário ampliou o volume de negociações em segmentos diretamente ligados à receita operacional da companhia. Quanto maior for o giro do mercado, maior tende a ser a captura de receitas da Bolsa.

O grupo de receitas pró-cíclicas, formado principalmente por derivativos e renda variável, avançou 23,7% no período. O resultado mostrou como mudanças nas expectativas econômicas afetam diretamente o desempenho da operadora da Bolsa.

Fluxo estrangeiro impulsiona ações e derivativos na B3

O mercado de renda variável apresentou forte aceleração no primeiro trimestre. O volume financeiro médio diário negociado em ações atingiu R$ 34,8 bilhões, salto anual de 46%.

Parte relevante desse movimento veio do investidor estrangeiro. A entrada líquida de capital internacional na B3 somou R$ 53,8 bilhões no trimestre, volume superior em 100,3% ao observado durante todo o ano de 2025.

O fluxo externo ajudou a ampliar liquidez e negociações em Bolsa. Esse ambiente normalmente aumenta receitas da B3 porque gera mais operações em:

  • ações
  • derivativos
  • ETFs
  • BDRs
  • fundos listados

O avanço da volatilidade também elevou a demanda por derivativos. Em momentos de maior oscilação de juros e câmbio, investidores costumam ampliar operações de proteção financeira e exposição tática ao mercado.

Os ETFs, BDRs e fundos listados registraram ADTV de R$ 5,4 bilhões, crescimento de 57,5%. O segmento passou a representar 15,5% de todo o volume negociado pela Bolsa no período.

O que o resultado da B3 sinaliza para a Bolsa brasileira

O resultado da B3 indica uma possível mudança de ciclo para o mercado brasileiro. Depois de um período pressionado por juros elevados e menor apetite por risco, o aumento do fluxo estrangeiro começou a reativar a atividade da Bolsa.

A melhora operacional também apareceu na rentabilidade da companhia. O Ebitda recorrente ficou em R$ 2,1 bilhões, sustentado por alavancagem operacional e controle de custos.

Mesmo com aumento das despesas, a empresa preservou expansão de margem. As despesas totais somaram R$ 918,7 milhões, alta anual de 10,9%, enquanto as despesas ajustadas cresceram 6,3%.

A diferença entre crescimento das receitas e avanço mais moderado dos custos elevou a eficiência operacional da companhia. Esse efeito tende a ganhar força quando o mercado aumenta o volume negociado sem necessidade proporcional de expansão estrutural.

O desempenho do trimestre também mostrou que a B3 depende menos apenas das ações tradicionais. A companhia ampliou receitas em diferentes áreas do mercado de capitais e capturou maior diversificação operacional.

Tesouro Direto e renda fixa também aceleraram

A expansão da atividade não ficou restrita à renda variável. A B3 também registrou crescimento relevante nas operações ligadas à renda fixa e crédito privado.

As emissões e estoques avançaram:

  • 9,1% nas emissões
  • 18,5% no estoque total
  • 16,8% na dívida corporativa

O Tesouro Direto apresentou um dos maiores crescimentos do trimestre. O estoque do produto subiu 45,5%, enquanto o número de investidores chegou a 3,4 milhões ao final de março.

O avanço simultâneo de Bolsa, derivativos e renda fixa indica um mercado financeiro mais ativo e diversificado. A expectativa de queda dos juros passou a estimular diferentes perfis de investimento ao mesmo tempo.

No lucro da B3 no 1T26, a combinação entre juros menores, volatilidade elevada e retorno do investidor estrangeiro ampliou receitas, aumentou volumes negociados e recolocou a Bolsa brasileira em um cenário mais favorável para expansão operacional.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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