Tal como informou o balanço trimestral, divulgado nesta quinta-feira (07/05), o resultado da Smart Fit no 1T26 reduziu uma das principais dúvidas do mercado sobre a companhia: até que ponto a abertura acelerada de academias poderia começar a pressionar rentabilidade e geração de caixa. Mesmo após adicionar 354 unidades em 12 meses, a empresa entregou expansão de margem, avanço do lucro e crescimento operacional acima da receita.
A companhia encerrou março de 2026 com 2.113 academias em 16 países, consolidando o maior ciclo de expansão da sua história. O movimento acontece num momento em que parte do setor de consumo enfrenta desaceleração, custos ainda elevados e maior disputa por renda disponível.
Os números do trimestre, portanto, mostram que a Smart Fit conseguiu ampliar escala sem desmontar a eficiência operacional. Algo que, geralmente, costuma representar o principal risco em empresas intensivas em expansão física.
Lucro cresce acima da receita e reduz temor sobre expansão agressiva
A receita líquida da companhia ultrapassou R$ 2 bilhões pela primeira vez em um trimestre e atingiu R$ 2,1 bilhões entre janeiro e março, alta de 25% na comparação anual. O EBITDA ajustado cresceu 29%, enquanto o lucro líquido recorrente avançou 47%.
Os principais indicadores do trimestre foram:
- receita líquida de R$ 2,1 bilhões;
- EBITDA ajustado de R$ 672 milhões;
- margem EBITDA de 32%;
- lucro líquido recorrente de R$ 207 milhões.
O dado mais relevante, porém, apareceu na margem. Mesmo com o aumento das despesas ligadas à abertura de unidades, a margem bruta caixa subiu para 51,8%. O resultado sugere que a maturação das academias abertas nos últimos anos começa a compensar o peso operacional da expansão recente.
Expansão da Smart Fit entra em fase mais delicada
O resultado da Smart Fit no 1T26 também mostra que o ritmo de crescimento da rede começa a elevar o grau de exigência operacional da companhia. Com 108 academias em obras e outros 170 contratos assinados, a empresa passa a operar numa escala em que crescer deixa de ser o principal desafio. O foco agora passa a ser sustentar ocupação, ticket e margem numa base muito maior de unidades.
A Smart Fit manteve o guidance de abertura entre 330 e 350 academias em 2026, praticamente repetindo o ritmo recorde do ano passado. A decisão sinaliza confiança da administração na capacidade de absorver novas unidades sem deterioração relevante da rentabilidade.
O balanço trouxe sinais positivos nessa direção. As academias maduras mantiveram margem próxima de 52%, enquanto parte das unidades abertas em 2024 já opera acima desse patamar. Isso reduz um receio recorrente do mercado: o risco de a expansão começar a destruir o retorno operacional à medida que a companhia aumenta a presença regional.
Brasil volta a ganhar peso na tese operacional com resultado da Smart Fit no 1T26
Parte do mercado vinha observando com cautela a operação brasileira nos últimos trimestres, principalmente após desaceleração da base de clientes e o aumento da competição no setor fitness. O resultado da Smart Fit no 1T26 trouxe uma melhora importante nesse cenário.
A receita da operação Smart Fit Brasil cresceu 18% no trimestre, impulsionada principalmente pela alta do ticket médio. A companhia também alcançou a marca de 1.000 academias no país, tornando-se a primeira rede brasileira a atingir esse tamanho considerando todas as marcas do grupo.
Parte desse avanço veio do fortalecimento do Plano Black, que já representa 70% da base de clientes das academias próprias. O modelo premium melhora monetização porque amplia permanência dos usuários, aumenta circulação entre unidades e reduz resistência a reajustes.
TotalPass começa a alterar perfil de rentabilidade da companhia
O resultado da Smart Fit no primeiro trimestre também mostrou avanço da divisão de negócios digitais e corporativos da Smart Fit. A linha “Outras”, que reúne operações como TotalPass, royalties, studios e plataformas digitais, dobrou de tamanho em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Mais importante que o crescimento da receita foi o impacto sobre margem. Essa divisão atingiu rentabilidade muito superior à operação tradicional de academias, ampliando a participação no lucro consolidado da companhia. O TotalPass, portanto, aparece como principal vetor dessa mudança.
A plataforma encerrou o trimestre com 2,1 milhões de clientes entre Brasil e México, enquanto a rede credenciada ultrapassou 44 mil estabelecimentos. O avanço ajuda a Smart Fit a reduzir dependência do modelo puramente físico e aumenta participação de receitas menos intensivas em capital.
Geração de caixa apresentada nos resultados do 1T26 sustenta a expansão da Smart Fit
O crescimento da rede continua exigindo investimentos elevados, especialmente com foco na expansão internacional. O capex da companhia somou R$ 566 milhões no trimestre, alta de 28% na comparação anual, puxado principalmente pela abertura de novas unidades.
Mesmo assim, a Smart Fit preservou indicadores considerados saudáveis de alavancagem. A relação entre dívida líquida ajustada e EBITDA ficou em 1,14 vez, enquanto o caixa encerrou março em R$ 4,6 bilhões.
A combinação entre expansão forte, avanço de margem e geração operacional elevada começa a mudar a percepção sobre a companhia. O resultado da Smart Fit no 1T26 mostra que a tese da empresa já não depende apenas da abertura de academias, mas da capacidade de transformar escala regional em ganho consistente de rentabilidade.



