A temporada de balanços 1T26 entra na semana mais importante de maio com um contraste crescente entre empresas ligadas a commodities e bancos mais expostos à deterioração do crédito. Petrobras (PETR4), BTG Pactual (BPAC11) e Banco do Brasil (BBAS3) simbolizam essa divisão.
Enquanto Petrobras e BTG chegam ao trimestre sustentados por geração de caixa, produção e diversificação de receitas, o Banco do Brasil enfrenta um ambiente mais pressionado por inadimplência, desaceleração da carteira e aumento das provisões.
O mercado passou a olhar a nova rodada de resultados trimestrais como um retrato da economia brasileira. De um lado aparecem empresas beneficiadas pelo petróleo elevado, pela exportação e pelo mercado de capitais. Já do outro, surgem instituições pressionadas pela piora da atividade doméstica e pelo crédito mais caro.
Temporada de balanços 1T26 reforça dependência do Ibovespa sobre commodities
Entre as empresas do Ibovespa, Petrobras deve divulgar um dos balanços mais sólidos da temporada de balanços 1T26. A expectativa positiva da Petrobras ganhou força após a estatal elevar em 3,2% sua produção de petróleo no 1T26, alcançando 2,58 milhões de barris por dia com avanço operacional em Búzios e Mero.
A leitura do mercado é que Petrobras amplia novamente seu peso como sustentação financeira da Bolsa brasileira num momento de enfraquecimento de setores domésticos.
Esse movimento também expõe uma concentração crescente do Ibovespa em empresas dependentes de commodities. Quanto maior a fragilidade de bancos e varejo, maior a relevância das petroleiras e exportadoras no desempenho do índice.
BTG preserva rentabilidade em cenário mais difícil
O BTG Pactual entra na temporada de balanços 1T26 com expectativa mais favorável do que a observada nos bancos tradicionais. A empresa deve apresentar resultados sólidos e projeta EBITDA de US$ 12,6 bilhões e dividendos de US$ 2,4 bilhões no trimestre.
Enquanto isso, o Itaú BBA estima lucro líquido de R$ 4,5 bilhões para o banco, sustentado por uma estrutura de receitas menos dependente da expansão de crédito.
Entre os pilares acompanhados pelo mercado aparecem:
- investment banking;
- gestão de patrimônio;
- mercado de capitais;
- wealth management.
A diversificação ajuda o BTG a atravessar um ambiente mais pressionado sem deterioração relevante de margem ou rentabilidade.
O desempenho esperado reforça uma mudança relevante no setor financeiro brasileiro. Bancos mais expostos ao mercado de capitais seguem conseguindo compensar períodos de desaceleração econômica com receitas menos ligadas ao crédito tradicional.
Essa dinâmica amplia a distância entre instituições focadas em serviços financeiros sofisticados e bancos mais dependentes de empréstimos corporativos, agro e varejo.
Banco do Brasil enfrenta o trimestre mais pressionado
Já o Banco do Brasil entra na temporada de balanços 1T26 sob uma leitura mais cautelosa do mercado financeiro. Isso se justifica pela classificação do Itaú BBA, que nomeou o período como “o trimestre mais desafiador entre os grandes bancos”.
A principal pressão está concentrada na desaceleração da carteira de crédito e nas despesas elevadas com provisões para inadimplência.
O banco de investimento projeta:
- lucro de R$ 21 bilhões;
- resultado abaixo do guidance;
- pior dinâmica operacional entre os bancões.
O guidance oficial do Banco do Brasil prevê lucro entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, mas o mercado passou a questionar a capacidade de atingir a parte superior da projeção.
Parte da deterioração está ligada ao ambiente mais difícil no agronegócio e no crédito corporativo. O aumento do custo financeiro também ampliou pressão sobre pequenas e médias empresas.
O resultado do BB, portanto, ganhou peso porque pode funcionar como sinalização antecipada sobre o restante do sistema bancário. Uma piora mais forte nas provisões tende a aumentar cautela em todo o setor financeiro.
Veja as principais divulgações da semana nesta temporada de balanços 1T26
Segunda-feira (11/05)
- Vivo (VIVT3) — antes da abertura
- Petrobras (PETR4)
- Itaúsa (ITSA4)
- Natura (NATU3)
- MRV (MRVE3)
- Grupo SBF (SBFG3) — após fechamento
Terça-feira (12/05)
- BTG Pactual (BPAC11) — antes da abertura
- JBS (JBSS3)
- Braskem (BRKM5)
- Dasa (DASA3)
- Cury (CURY3)
Quarta-feira (13/05)
- Banco do Brasil (BBAS3)
- Rede D’Or (RDOR3)
- Equatorial (EQTL3)
- Americanas (AMER3)
- Casas Bahia (BHIA3)
- Raízen (RAIZ4)
Quinta-feira (14/05)
- Nubank (ROXO34)
- Cosan (CSAN3)
- Cyrela (CYRE3)
- GPA (PCAR3) — após fechamento
- Azul (AZUL4)
Sexta-feira (15/05)
- Simpar (SIMH3)
- Copasa (CSMG3)
Por fim, a temporada de balanços 1T26 deve ampliar a separação entre empresas beneficiadas pelo mercado internacional e companhias mais expostas à desaceleração doméstica.



