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Conselho da Natura muda e fundadores deixam o comando

A Natura retirou seus fundadores do Conselho de Administração e criou um órgão consultivo sem poder decisório.
Imagem de uma loja da Natura para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Conselho de Administração da Natura.
Conselho da Natura muda e fundadores deixam o comando. (Imagem: divulgação/Natura)

A Natura &Co anunciou  nesta terça-feira (31/03) uma reestruturação que retira seus fundadores do Conselho da Administração e cria um novo órgão consultivo sem poder decisório. A mudança altera o centro de comando da companhia e marca uma nova fase na estratégia do grupo.

A decisão representa uma mudança estrutural na forma como a empresa é administrada. Pela primeira vez, Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos deixam o conselho da Natura, órgão responsável pelas decisões estratégicas.

Com isso, a empresa separa dois papéis que historicamente estavam concentrados nas mesmas pessoas: definir os rumos do negócio e preservar a cultura da marca.

Fundadores da Natura deixam decisões estratégicas do Conselho de Administração

Os três fundadores da Natura passam a integrar um Conselho Consultivo estatutário, criado para atuar como guardião dos valores da companhia. Esse novo órgão não tem poder de decisão.

Na prática, isso significa que eles deixam de influenciar diretamente as decisões estratégicas da empresa — papel que agora fica concentrado no conselho da Natura reformulado.

A mudança reduz a influência operacional dos criadores, mas mantém sua presença simbólica e institucional.

Novo conselho da Natura assume comando

O conselho da Natura será totalmente recomposto para um mandato de dois anos e terá como presidente Alessandro Carlucci, ex-CEO da companhia.

A nova composição inclui nomes ligados à operação, como:

  • João Paulo Ferreira, atual CEO
  • Duda Kertesz

Também entram novos conselheiros e membros independentes, ampliando a diversidade de perfis na gestão. Esse redesenho torna o conselho da Natura mais voltado à execução da estratégia e à tomada de decisões práticas.

Mudança indica profissionalização

A saída dos fundadores do Conselho de Administração da Natura marca o fim de um modelo comum em empresas criadas por empreendedores, em que os fundadores mantêm controle direto sobre decisões estratégicas.

Agora, a empresa sinaliza ao mercado um movimento de profissionalização da governança, com maior separação entre gestão, controle e cultura. Esse tipo de transição costuma ocorrer quando companhias buscam crescimento mais acelerado ou maior alinhamento com investidores.

A reestruturação vem acompanhada de um novo acordo entre acionistas, com prazo inicial de dez anos. O documento reúne os principais blocos — incluindo os ligados aos fundadores — e mantém inalteradas suas participações.

Na prática, os fundadores continuam relevantes como acionistas, mas deixam de atuar diretamente no conselho da Natura, reduzindo sua influência nas decisões do dia a dia.

Entrada de investidor reforça mudança

O movimento também está ligado à possível entrada da Advent International, por meio do fundo Lotus. O acordo prevê a compra de 8% a 10% das ações da Natura, com preço médio de R$ 9,75 por papel.

Se atingir pelo menos 8%, o investidor poderá indicar dois membros para o conselho da Natura, ampliando ainda mais a diversidade de interesses dentro do órgão.

Com isso, o conselho poderá chegar a até dez integrantes.

O que muda na prática?

A nova estrutura cria uma divisão clara:

  • Conselho da Natura: responsável por estratégia e decisões
  • Conselho consultivo: responsável por cultura e legado

Essa separação tende a reduzir conflitos entre tradição e execução, permitindo decisões mais rápidas e alinhadas ao crescimento.

Conselho de Administração da Natura: por que isso importa

A reformulação do conselho da Natura altera o equilíbrio de poder dentro da companhia. Ao retirar os fundadores do centro decisório e abrir espaço para novos conselheiros e investidores, a empresa busca ganhar agilidade e atratividade no mercado.

Esse movimento marca uma transição importante: de uma empresa comandada por seus criadores para uma estrutura mais profissionalizada, com foco em expansão e resultados.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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