A taxa das blusinhas provocou uma queda superior a 60% nas encomendas internacionais em desacordo com o Fisco em 2025, segundo dados da Receita Federal. No ano passado, foram identificadas 6,2 milhões de remessas irregulares, ante 15,7 milhões em 2024, consolidando o novo padrão de fiscalização iniciado com o programa Remessa Conforme.
Além da redução nas irregularidades, o volume total de compras internacionais também recuou. A Receita contabilizou 157,3 milhões de encomendas em 2025, queda de cerca de 8% frente às 169,4 milhões registradas no ano anterior. Ainda assim, o efeito fiscal seguiu na direção oposta.
Taxa das blusinhas e controle aduaneiro
Mesmo com menos pacotes entrando no país, a arrecadação com a taxa das blusinhas quase dobrou. O recolhimento federal saltou de R$ 2,88 bilhões em 2024 para R$ 5 bilhões em 2025. O dado indica maior conformidade tributária nas remessas internacionais e menor espaço para subdeclaração de valores.
O programa Remessa Conforme, implementado em agosto de 2023, estruturou um modelo digital de certificação de plataformas estrangeiras. Sites habilitados passaram a recolher tributos no momento da compra, ampliando a rastreabilidade das encomendas e fortalecendo a fiscalização aduaneira.
Tributação sobre compras internacionais
A estrutura tributária prevê duas faixas. Em compras de até US$ 50, incidem 20% de Imposto de Importação e 17% de ICMS. Já nas compras acima desse valor, a alíquota sobe para 60%, mantido o ICMS de 17%. Caso o site não esteja certificado no programa, aplica-se a regra geral de 60% mais ICMS.
Esse desenho elevou a previsibilidade para o Fisco e alterou a dinâmica do comércio eletrônico internacional. Plataformas estrangeiras passaram a se adequar às exigências para manter competitividade no mercado brasileiro, enquanto consumidores passaram a visualizar o custo total da importação antes da finalização da compra.
Taxa das blusinhas e novo padrão de consumo
A combinação entre maior controle tributário e digitalização do processo redefiniu o fluxo de remessas internacionais. Embora o número total de encomendas tenha recuado, a base tributável tornou-se mais transparente, impulsionando a arrecadação federal.
No cenário atual, a taxa das blusinhas se consolida como instrumento de reorganização do comércio exterior de pequeno valor. A tendência é que a Receita aprofunde o monitoramento eletrônico e amplie a integração de dados, mantendo a arrecadação elevada mesmo diante de ajustes no volume de compras.





