Magalu abandona preços baixos e muda estratégia para proteger margem no e-commerce

O Magalu está mudando sua estratégia no marketplace ao priorizar grandes marcas e abandonar a disputa por preços baixos. A decisão reflete a pressão da concorrência e busca melhorar margens e qualidade do mix de produtos.
Tela do site e aplicativo do Magalu exibindo ofertas e navegação de marketplace
Magalu reposiciona marketplace ao priorizar marcas e reduzir foco em preço baixo (Foto: Reprodução)

O Magazine Luiza (Magalu, MGLU3) decidiu sair da disputa mais agressiva do e-commerce brasileiro, a conhecida guerra por preço baixo, e reposicionar sua estratégia para preservar margem em um cenário dominado por concorrentes como Shopee e Mercado Livre. A mudança indica uma virada: crescer menos em volume para tentar ganhar mais em rentabilidade.

Na prática, o Magalu deixa de competir diretamente com plataformas que subsidiam frete e preço para ganhar escala e passa a focar em categorias de maior valor e relacionamento com grandes marcas.

O movimento ocorre após pressão recente nos resultados. No quarto trimestre de 2025, as vendas via marketplace caíram 11,7%, reflexo direto da perda de competitividade em produtos de menor valor, justamente onde rivais ampliaram presença com preços agressivos.

O que está por trás da nova estratégia do Magalu

A mudança parte de um diagnóstico direto: crescer em volume a qualquer custo deteriora margem e torna o modelo menos sustentável no longo prazo.

No e-commerce atual, categorias de ticket de baixo valor exigem escala extrema e eficiência logística. Portanto, um jogo que favorece empresas com operação global ou com forte capacidade de subsídio, como as já citadas Shopee, que investe cada vez mais em logística, Mercado Livre e a Amazon.

Ao sair dessa disputa, o Magalu tenta ocupar um espaço menos pressionado, com uma estratégia que concentra esforços em categorias onde já tem força, como eletrodomésticos, eletrônicos e móveis, além de ampliar presença em segmentos como beleza, utilidades domésticas e supermercado.

A entrada de marcas como Tramontina, Westwing e Lacoste em seu ambiente de vendas online reforça essa virada. Em vez de ampliar indiscriminadamente o número de vendedores, a empresa passa a selecionar parceiros capazes de elevar o valor percebido da plataforma.

Como a estratégia do Magalu muda o marketplace

Internamente, o Magalu passou a tratar o marketplace como um “brandplace”, um ambiente orientado por marcas e não apenas por preço.

A mudança altera tanto a curadoria de produtos quanto a relação com os vendedores. Para atrair parceiros mais relevantes, a empresa reduziu a comissão de 18% para 9,9% e investiu em melhorias operacionais, como integração de sistemas e logística.

A lógica é reduzir o atrito de entrada e tornar a plataforma mais atrativa para marcas que buscam escala sem perder controle operacional.

Esse ajuste também responde a uma demanda dos próprios sellers. Sem competitividade em comissão, logística e visibilidade, o marketplace perde diversidade e relevância — o que impacta diretamente tráfego e conversão.

O impacto econômico da decisão no e-commerce

A estratégia do Magalu acontece em um momento de crescimento do e-commerce no Brasil. Em 2024, o setor movimentou R$ 371,4 bilhões no Brasil, com alta de 19,1%, segundo a empresa mundial de medição Nielsen.

No Magalu, o digital já representa 69% do faturamento total de R$ 65 bilhões em 2025. Dentro desse contexto, o marketplace responde por 39% das vendas online, o que transforma qualquer mudança no canal em impacto direto sobre receita e margem.

Ao priorizar qualidade em vez de volume, a empresa tenta corrigir uma distorção comum no setor: crescimento acelerado sem rentabilidade.

O risco, no entanto, é claro: perder participação em categorias de alta rotatividade, onde preço e frete continuam sendo decisivos.

O que muda para o consumidor

Para o consumidor, a mudança tende a alterar a experiência de compra. A maior presença de marcas conhecidas pode elevar a confiança e reduzir o risco em compras de maior valor.

Por outro lado, a saída da guerra de preços pode reduzir a competitividade em itens mais baratos, onde descontos agressivos e frete grátis ainda são determinantes.

Na prática, a nova estratégia para o e-commerce do Magazine Luiza aposta que parte do público está disposta a pagar mais por previsibilidade, entrega confiável e marcas reconhecidas. Portanto, uma escolha que redefine não apenas o posicionamento da empresa, mas também o perfil de consumidor que ela pretende atrair.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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