Lucro Grupo Mateus no 1T26 cai após margem despencar no atacarejo

O lucro Grupo Mateus no 1T26 caiu 21,8% mesmo com avanço da receita. Margens menores, consumo mais fraco e alta das despesas pressionaram o resultado da GMAT3.
Imagem da fachada do Grupo Mateus para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro do Grupo Mateus no 1T26.
Lucro do Grupo Mateus cai com margem menor e consumo fraco. (Imagem: divulgação/Grupo Mateus)

O lucro do Grupo Mateus no 1º trimestre de 2026 (1T26) caiu 21,8%, para R$ 212,9 milhões, mesmo com crescimento de receita acima de dois dígitos. O resultado da GMAT3 mostrou que a expansão de vendas já não garante avanço proporcional da rentabilidade no varejo alimentar.

A deterioração operacional ganhou força porque a companhia registrou queda nas vendas das mesmas lojas, avanço acelerado das despesas e piora do resultado financeiro. O trimestre também mostrou sinais de desaceleração do consumo popular em meio ao maior endividamento das famílias e à deflação dos alimentos.

O balanço do Grupo Mateus amplia sinais de pressão sobre o setor de atacarejo e supermercados, que começa a enfrentar crescimento mais fraco do consumo orgânico após anos sustentados por inflação elevada e expansão acelerada das vendas.

Receita cresce, mas margem do Grupo Mateus perde força

A receita líquida do Grupo Mateus avançou 12,9%, para R$ 9,4 bilhões, impulsionada pela consolidação do Novo Atacarejo, pela expansão do atacado B2B e pelo crescimento das vendas de eletrodomésticos.

Mesmo assim, o crescimento perdeu eficiência operacional.

O Ebitda caiu 7,3%, para R$ 543 milhões, enquanto a margem Ebitda recuou de 7% para 5,8% na comparação anual.

A pressão veio principalmente do avanço das despesas acima da receita:

  • despesas operacionais: +26,9%
  • despesas com vendas: +27,9%
  • custo das mercadorias vendidas: +11,9%

O movimento reduziu a capacidade de diluição de custos, um dos principais pilares de rentabilidade do atacarejo e do varejo alimentar.

Vendas nas mesmas lojas negativas acendem alerta no atacarejo

O indicador de vendas mesmas lojas ficou negativo em 7,3%, um dos dados mais sensíveis do trimestre.

A companhia atribuiu o desempenho a:

  • deflação de alimentos;
  • queda no preço de commodities;
  • famílias mais endividadas;
  • mudança na cesta de consumo.

O resultado sugere desaceleração do consumo orgânico mesmo com a continuidade da expansão física da rede.

A deflação alimentar também passou a pressionar o setor de supermercados e atacarejo porque reduz o valor nominal das vendas, principalmente em produtos básicos com maior peso no faturamento.

O trimestre reforçou uma mudança importante no varejo alimentar brasileiro. Em ciclos anteriores, a inflação elevada ajudava grandes redes a ampliar receita nominal e preservar margens. Agora, preços menores e consumo mais seletivo começam a limitar o crescimento operacional.

Resultado financeiro amplia pressão sobre a rentabilidade

O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 222,1 milhões, piora anual de 22,6%.

O impacto ganhou relevância porque o ambiente de juros elevados continua pressionando empresas dependentes de expansão operacional e margens apertadas.

Mesmo com melhora da alavancagem, a despesa financeira consumiu parcela relevante da geração operacional do trimestre.

O mercado tende a observar esse ponto com mais atenção porque pequenas deteriorações operacionais costumam produzir efeito proporcionalmente maior sobre o lucro líquido de varejistas alimentares.

Ao mesmo tempo, o Grupo Mateus reduziu a dívida líquida para R$ 735,9 milhões, queda de R$ 323,5 milhões frente ao fim de 2025.

O indicador de alavancagem encerrou março em 0,33 vez, sustentado pela melhora do capital de giro e pela geração de caixa operacional.

Lucro do Grupo Mateus enfrenta pressão no 1T26 após ciclo acelerado de expansão

O resultado do Grupo Mateus mostra que o principal desafio da companhia deixou de ser crescimento territorial e passou a ser eficiência operacional.

Nos últimos anos, a rede avançou apoiada em:

  • abertura acelerada de lojas;
  • expansão regional;
  • ganho de participação no Norte e Nordeste;
  • crescimento do atacarejo.

Agora, o cenário mudou.

O consumidor está mais seletivo, a deflação limita o crescimento nominal das vendas e os custos operacionais seguem avançando acima da receita. Isso reduz a capacidade de preservação das margens no varejo alimentar.

A leitura do mercado tende a se concentrar justamente nessa mudança estrutural. A receita continua crescendo, mas o desempenho operacional da GMAT3 passou a indicar perda de eficiência em um ambiente de consumo mais pressionado.

O lucro Grupo Mateus no 1T26 acabou refletindo essa nova dinâmica do setor, na qual crescimento acelerado já não garante expansão proporcional da rentabilidade em supermercados e atacarejos.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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