O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta segunda-feira (30/03), a criação de uma joint venture entre o Grupo Mateus e o grupo Toureiro para atuação no setor farmacêutico, marcando a entrada mais estruturada do Grupo Mateus no segmento de farmácias e ampliando a disputa com redes como o Assaí, com potencial de pressionar preços de medicamentos no Norte e Nordeste.
A operação une a presença do Grupo Mateus no varejo com a estrutura de distribuição da AS&J Holding, que integra o grupo Toureiro, uma das maiores redes de farmácias do Piauí. Permitindo, assim, ampliar a oferta e reduzir custos logísticos em regiões onde o acesso a medicamentos ainda enfrenta limitações.
Para a companhia, o avanço do Grupo Mateus em farmácia também funciona como uma resposta à queda de vendas nas mesmas lojas, ao incorporar uma fonte de receita mais previsível em meio à desaceleração do consumo no varejo alimentar.
Disputa entre atacarejos avança com Grupo Mateus em farmácia
A parceria une duas frentes complementares. O Grupo Mateus já possui presença no varejo e inicia a expansão em farmácia, enquanto o grupo Toureiro atua na distribuição de medicamentos e produtos médico-hospitalares, e agora expande para o varejo.
Essa combinação melhora a eficiência da cadeia farmacêutica, especialmente em regiões onde o custo logístico é mais elevado.
O efeito prático tende a aparecer em três pontos:
- Maior disponibilidade de medicamentos nas lojas;
- Menos ruptura de estoque;
- Ganho de escala que abre espaço para queda de preços.
Esse tipo de eficiência acelera a disputa com redes que já adotam o modelo de farmácia integrada ao atacarejo.
Grupo Mateus entra em farmácia e pressiona modelo do Assaí
A movimentação ocorre em resposta direta ao avanço de concorrentes como o Assaí, que já incorporam farmácias às suas unidades para aumentar o ticket médio e ampliar o fluxo de clientes.
Ao seguir essa estratégia, o Grupo Mateus evita perder competitividade em um modelo que começa a se consolidar no setor.
O diferencial do mercado farmacêutico está na previsibilidade da demanda:
- consumo recorrente
- menor dependência do ciclo econômico
- necessidade contínua por parte do consumidor
Isso transforma a farmácia em uma alavanca relevante para sustentar receita mesmo em períodos de desaceleração.
Movimento ocorre após queda de desempenho
A entrada do Grupo Mateus em farmácia acontece em um momento de pressão sobre os resultados.
As ações da companhia (GMAT3) acumulam queda de 31% nos últimos 12 meses, negociadas a R$ 4,70. No desempenho operacional, os principais indicadores também recuaram:
- EBITDA ajustado caiu 6%
- lucro líquido ajustado recuou 18%
O cenário macroeconômico, com juros elevados, crédito mais restrito e deflação de alimentos, reduz o consumo e afeta diretamente o desempenho do varejo alimentar.
Diante disso, a expansão para farmácia surge como uma tentativa de equilibrar a geração de receita e reduzir a exposição a esse ambiente mais desafiador.
O que muda para o consumidor
A intensificação da disputa entre Grupo Mateus e Assaí no setor de farmácia pode gerar mudanças diretas no dia a dia do consumidor, principalmente no Norte e Nordeste. Especialmente após a aprovação da lei que permite venda de medicamentos no interior de supermercados.
Entre os efeitos mais imediatos:
- Maior acesso a medicamentos em regiões menos atendidas
- Concorrência mais forte, com potencial de redução de preços
- Possibilidade de resolver compras de supermercado e farmácia no mesmo local
- Melhora na disponibilidade de produtos essenciais
Esse movimento tende a reduzir custos logísticos e ampliar a presença de medicamentos em áreas onde o acesso ainda é limitado.
Entrada do Grupo Mateus no segmento de farmácias é primeiro passo na disputa por preço de medicamentos do varejo
A entrada do Grupo Mateus em farmácia sinaliza uma mudança estrutural no varejo brasileiro. O atacarejo deixa de competir apenas em alimentos e passa a disputar também um mercado essencial e recorrente. Esse avanço transforma as lojas em pontos de consumo mais completos e aumenta a pressão competitiva entre os grandes players.
Ao incluir medicamentos na disputa, o setor passa a operar com uma nova lógica: não apenas atrair o consumidor pelo preço dos alimentos, mas também pela conveniência e pelo custo dos itens essenciais de saúde. Nesse cenário, a disputa entre Grupo Mateus e Assaí se intensifica. Agora, inclusive, com impacto direto no bolso e na rotina do consumidor.





