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Produção de caças Gripen no Brasil amplia papel da Embraer nos planos globais da Saab

A produção de caças Gripen no Brasil deve ganhar escala com contratos internacionais da Saab. A expansão fortalece a Embraer, amplia a participação brasileira na indústria de defesa e pode transformar o país em polo exportador do caça sueco.
Produção de caças Gripen no Brasil avança com aeronave da FAB durante voo de testes em parceria entre Embraer e Saab.
Saab pretende ampliar a produção de aeronaves no Brasil para atender contratos internacionais. (Foto: Divulgação/Saab)

A produção de caças Gripen no Brasil está deixando de ser apenas uma etapa do programa de modernização da Força Aérea Brasileira (FAB) para assumir uma dimensão internacional. A Saab, fabricante sueca de aeronaves militares e sistemas de defesa, pretende ampliar sua capacidade produtiva em território brasileiro.

O plano pode transformar a unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP) em uma base para atender encomendas de outros países, começando pelo contrato firmado com a Colômbia. A estratégia amplia a participação brasileira em uma cadeia global dominada por poucos fabricantes.

A mudança tem peso para a indústria nacional. Em vez de atuar apenas como compradora de tecnologia estrangeira, a Embraer passa a ganhar espaço na produção de uma das aeronaves de combate mais avançadas em operação atualmente.

A expansão também ocorre em um momento de aumento da demanda global por equipamentos de defesa. Com novos contratos em negociação e o avanço dos programas de rearmamento, o Brasil começa a se posicionar como um polo estratégico dentro dos planos internacionais da Saab.

Como o contrato da Colômbia amplia o papel da Embraer

A Saab confirmou que pretende utilizar ao máximo a capacidade produtiva existente no Brasil para atender ao contrato assinado com a Colômbia.

O acordo prevê:

  • Produção de 17 aeronaves caça Gripen;
  • 15 modelos Gripen E monopostos;
  • 2 modelos Gripen F bipostos;
  • entregas entre 2026 e 2032;
  • valor total de 3,1 bilhões de euros.

A declaração do CEO da Saab, Micael Johansson, indica que a fábrica brasileira não será apenas uma linha de montagem voltada à FAB. Ela poderá assumir uma função permanente dentro da estratégia internacional da fabricante sueca.

Isso altera o papel econômico do projeto Gripen no país. Quando o acordo original foi firmado, o foco estava na modernização da aviação de combate brasileira. Agora, a produção de caças Gripen no Brasil começa a ser incorporada a contratos destinados a outros mercados.

O movimento amplia o potencial industrial do programa e abre espaço para que a Embraer participe de futuras encomendas internacionais, transformando uma iniciativa de transferência de tecnologia em uma plataforma de exportação.

Transferência de tecnologia começa a gerar retorno industrial

A produção de caças Gripen no Brasil começa a entregar um dos principais objetivos que justificaram o acordo entre Saab e Embraer: transformar conhecimento importado em capacidade industrial instalada no país.

Quando o programa foi lançado, a transferência de tecnologia era apresentada como uma contrapartida estratégica da compra dos caças pela FAB. Mais de uma década depois, o Brasil já participa de etapas que vão muito além da montagem final das aeronaves.

Centenas de profissionais brasileiros passaram por treinamentos na Suécia e no Brasil envolvendo:

  • engenharia aeronáutica;
  • desenvolvimento de sistemas;
  • produção industrial;
  • manutenção avançada;
  • ensaios em voo.

O resultado desse processo apareceu em março, quando a Embraer apresentou o primeiro caça Gripen E produzido integralmente no Brasil.

O avanço também ampliou a participação da indústria nacional na cadeia de fornecimento do programa. Empresas como AEL Sistemas e Atech passaram a fornecer sistemas aviônicos, softwares e componentes estratégicos incorporados às aeronaves.

Essa evolução coloca o Brasil em uma posição incomum no mercado de defesa. Enquanto muitos países compram equipamentos militares prontos, o programa Gripen permitiu a formação de mão de obra especializada, o desenvolvimento de fornecedores locais e a absorção de conhecimento tecnológico que pode gerar novos negócios no futuro.

Produção de caças Gripen no Brasil pode abrir novo mercado exportador

A expansão anunciada pela Saab ocorre em um momento de aumento da demanda mundial por equipamentos de defesa. Conflitos regionais, tensões geopolíticas e programas de modernização militar vêm impulsionando encomendas em diversas partes do mundo.

Nesse cenário, o Brasil ganha relevância por oferecer capacidade produtiva adicional para a fabricante sueca. A possibilidade de futuras vendas para a Ucrânia reforça essa tendência. Embora ainda não exista contrato assinado, o governo ucraniano já manifestou interesse na aquisição de 20 aeronaves Gripen E.

Caso novas negociações avancem, a planta de Gavião Peixoto poderá absorver parte dessa demanda e ampliar sua participação na produção internacional da Saab.

O que muda para a indústria brasileira de defesa

O impacto econômico vai além da produção de aeronaves com o caça Gripen no Brasil. Uma cadeia industrial desse porte movimenta fornecedores de alta tecnologia, amplia a demanda por engenharia especializada e fortalece competências que podem ser aproveitadas em outros projetos aeroespaciais e de defesa.

A expansão também beneficia empresas brasileiras já integradas ao programa, aumentando as oportunidades para fornecedores de sistemas, softwares embarcados, eletrônicos e componentes estratégicos.

Ao mesmo tempo, o crescimento da participação brasileira reduz a dependência exclusiva do mercado doméstico. Quanto maior a presença do país em contratos internacionais, maior tende a ser a sustentabilidade industrial do projeto no longo prazo.

Nesse contexto, a produção de caças Gripen no Brasil começa a assumir uma função que vai além do atendimento à FAB. A ampliação dos planos da Saab sinaliza que o país pode consolidar uma posição rara no setor: a de polo internacional de fabricação de aeronaves de combate de última geração fora do eixo tradicional das grandes potências militares.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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