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Expansão da Domino’s no Brasil aposta onde grandes redes ainda têm espaço limitado

A expansão da Domino's no Brasil passa a priorizar cidades do interior e formatos compactos. A estratégia busca reduzir custos, ampliar a presença nacional e capturar mercados ainda pouco explorados pelas grandes redes de alimentação.
Expansão da Domino's no Brasil avança com estratégia de lojas menores e foco em cidades do interior
Domino's pretende abrir 150 novas unidades até 2029, com parte relevante da expansão voltada para cidades médias e pequenas. (Foto: Reprodução)

A expansão da Domino’s no Brasil está menos ligada à abertura de novas lojas e mais à mudança do mapa de crescimento do setor de alimentação. Em vez de disputar espaço nos grandes centros, a rede decidiu direcionar boa parte de seus investimentos para cidades onde a concorrência ainda é menor e os custos operacionais são mais favoráveis.

A estratégia surge em um momento em que o consumo fora de casa enfrenta pressão da inflação, do endividamento das famílias e dos juros elevados. Nesse ambiente, crescer nas capitais se tornou mais caro e, em muitos casos, menos eficiente do que buscar novos mercados no interior.

Enquanto parte do setor reduz ritmo de expansão ou prioriza ganhos de produtividade, a Domino’s aposta que o próximo ciclo de crescimento do food service brasileiro acontecerá longe dos grandes centros urbanos.

Interior se torna a nova fronteira do food service

Segundo informa o site Investnews, a Domino’s pretende abrir 150 novas unidades até 2029, elevando sua operação de 220 para 370 lojas. O dado mais relevante do plano não é o número de inaugurações, mas onde elas acontecerão: cerca de um terço ficará em cidades com até 150 mil habitantes, mercados ainda pouco explorados pelas grandes redes nacionais de alimentação.

A escolha reflete uma mudança que vem ocorrendo em diversos segmentos do varejo. Nas capitais do Brasil, a expansão da Domino’s enfrenta limites cada vez mais claros, como concorrência intensa, aluguéis elevados, saturação comercial e risco de canibalização entre unidades da própria rede. São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, já concentram quase metade das lojas da Domino’s.

Nesse contexto, cidades como Lajeado (RS) e Pouso Alegre (MG) passaram a oferecer uma combinação mais favorável entre potencial de consumo, custos operacionais e espaço para crescimento. Em vez de disputar clientes em mercados já ocupados, a rede busca regiões onde ainda há demanda sem presença consolidada das grandes marcas.

Lojas menores ajudam a levar a marca para novos mercados

A mudança geográfica da expansão da Domino’s no Brasil só foi possível porque a empresa alterou o próprio modelo de operação.

Durante anos, a abertura de uma unidade exigia investimento próximo de R$ 1 milhão. Com a Selic em níveis elevados, captar novos franqueados nesse patamar se tornou mais difícil.

A solução foi reduzir o tamanho das lojas e o valor necessário para entrar no negócio.

Hoje, a rede trabalha com três formatos:

  • quiosques de até 4,9 m²;
  • unidades intermediárias entre 20 e 50 m²;
  • restaurantes acima de 150 m².

O investimento mínimo caiu para R$ 300 mil.

A redução ampliou significativamente o número de cidades economicamente viáveis para receber uma operação da marca.

Além disso, formatos compactos permitem instalação em postos de combustível, centros comerciais e áreas de grande circulação que antes não comportavam uma unidade tradicional.

A estratégia também reduz o risco financeiro do franqueado, fator que ganha importância em um ambiente de crédito caro.

Expansão da Domino’s no Brasil revela mudança maior no setor

A estratégia da rede reflete uma mudança no setor de alimentação. Com consumidores reduzindo gastos fora de casa, crescer passou a depender menos da força da marca e mais da capacidade de operar com custos menores.

Nesse cenário, Domino’s e Pizza Hut seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Domino’s aposta na abertura de novas unidades em cidades pouco exploradas, a concorrente prioriza a rentabilidade das lojas existentes e reduziu sua rede no último ano.

A empresa acredita que boa parte do crescimento futuro do food service estará fora das capitais. Por isso, reduziu o investimento exigido dos franqueados, criou formatos compactos e ampliou o uso de tecnologia. Mais do que abrir lojas, a expansão da Domino’s no Brasil sinaliza a migração da disputa das grandes redes para cidades médias e pequenas.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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