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Escala 5×2 no varejo: Farmácias São João antecipa teste que pode redesenhar a rotina das lojas

A Farmácias São João iniciou um projeto piloto com escala 5x2 em parte das lojas. A experiência busca medir os impactos da nova jornada em uma operação com 25 mil funcionários antes de eventuais mudanças na legislação.
Fachada de uma unidade da Farmácias São João, rede que iniciou testes de escala 5x2 no varejo em parte de suas lojas na Região Sul.
Farmácias São João começou a testar a escala 5x2 em algumas unidades para avaliar os impactos da nova jornada sobre funcionários e operação. (Foto: Divulgação/Farmácia São João)

A discussão sobre a jornada de trabalho começou a produzir efeitos práticos dentro das empresas. A escala 5×2 no varejo passou a ser testada pela Farmácias São João, uma das maiores redes farmacêuticas do país, em um movimento que busca antecipar os impactos de possíveis mudanças nas regras trabalhistas.

Com mais de mil lojas distribuídas pela Região Sul e cerca de 25 mil funcionários, a companhia iniciou um projeto piloto para entender como dois dias de folga semanais afetam tanto a rotina dos colaboradores quanto a operação das unidades.

O movimento chama atenção porque ocorre antes de qualquer definição sobre as propostas que discutem o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal no Congresso.

Por que a Farmácias São João decidiu testar a escala 5×2

Segundo o presidente da empresa, Pedro Henrique Brair, a decisão de adotar a escala 5×2 foi tomada para evitar que a rede seja surpreendida por eventuais mudanças na legislação do varejo.

A estratégia transforma parte das lojas em um ambiente de observação prática. Em vez de aguardar a conclusão do debate político, a companhia começou a avaliar como a nova dinâmica funciona no dia a dia de uma operação que atende clientes durante toda a semana.

No entanto, o projeto ainda está em fase inicial e permanece restrito a algumas unidades.

O diretor jurídico da empresa, Sérgio Ferraz, classificou a iniciativa como um piloto destinado a medir resultados antes de qualquer decisão mais ampla.

A escolha da Farmácias São João tem peso no setor. Fundada em Passo Fundo, a rede se consolidou como a maior do Rio Grande do Sul e uma das maiores operações farmacêuticas do Brasil.

O que uma rede com 25 mil funcionários tenta medir

A adoção da escala 5×2 no varejo envolve desafios que vão além da concessão de mais um dia de descanso aos trabalhadores.

Empresas com operações extensas precisam entender como a mudança afeta a organização das equipes e o funcionamento das lojas.

Entre os pontos observados pela companhia estão:

  • Adaptação dos colaboradores;
  • Percepção sobre a nova rotina;
  • Cobertura das escalas;
  • Funcionamento das unidades;
  • Capacidade de manter o atendimento.

Brair afirmou que a avaliação está sendo realizada em conjunto com os profissionais de recursos humanos e com os próprios funcionários.

O objetivo é identificar se os trabalhadores se sentem mais confortáveis com o novo modelo e se a operação consegue manter desempenho sem impactos relevantes. Um teste válido, considerando que certos representantes de outras áreas do varejo, como o dono da Riachuelo, por exemplo, veem mais riscos que benefícios com a medida.

Portanto, para uma rede com milhares de empregados, mudanças na jornada exigem planejamento cuidadoso. Pequenos ajustes em cada unidade podem produzir efeitos significativos quando replicados em larga escala.

O que o teste revela sobre o futuro da escala 5×2 no varejo

A experiência da Farmácias São João mostra que parte das empresas já começou a analisar cenários que ainda dependem de aprovação legislativa.

O caso chama atenção porque desloca o debate do campo teórico para a operação real de uma grande companhia.

Enquanto especialistas discutem os efeitos da redução da jornada, a rede passa a reunir informações concretas sobre produtividade, organização do trabalho e adaptação dos funcionários. Esse tipo de experiência, inclusive, pode ganhar relevância à medida que avançam as discussões sobre novas regras para o mercado de trabalho.

Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Nº 221/2019, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com implementação gradual em até 14 meses. O texto ainda será analisado pelo Senado.

Nesse cenário, a escala 5×2 no varejo deixa de ser apenas uma hipótese debatida em Brasília e passa a fazer parte da rotina de algumas empresas que buscam entender, antecipadamente, como uma eventual mudança poderá afetar suas operações.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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