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Lucro do Grupo Mateus cresce 5,3% no 4º tri enquanto vendas nas mesmas lojas recuam

O lucro do Grupo Mateus cresceu no 4T25, impulsionado pela expansão da rede. Porém, a queda nas vendas das mesmas lojas indica mudança no consumo e maior pressão operacional. Saiba mais.
lucro do Grupo Mateus 4T25 crescimento com queda nas mesmas lojas
Expansão sustenta crescimento do Grupo Mateus mesmo com recuo nas vendas das lojas já maduras (Foto: Divulgação/Grupo Mateus)

O lucro do Grupo Mateus cresceu 5,3% no quarto trimestre de 2025, divulgado na quarta-feira (18/03), ao atingir R$ 340,4 milhões. O dado confirma avanço do resultado, mas a leitura do período vai além do número: as vendas nas mesmas lojas recuaram, sinalizando mudança no ritmo do consumo.

Ao mesmo tempo, a companhia manteve expansão acelerada e consolidou operações recentes, o que sustentou o crescimento da receita. Esse contraste entre escala e desempenho das lojas já maduras passa a definir o momento do grupo no varejo alimentar.

Lucro do Grupo Mateus no 4T25 mostra crescimento apoiado na expansão

O trimestre combina avanço de receita com sinais de desaceleração operacional, especialmente quando isolado o desempenho das unidades mais antigas.

Segundo dos lucros do Grupo Mateus no quarto trimestre, o números gerais são:

  • Receita líquida de R$ 10,55 bilhões, alta de 20,9%, impulsionada pela abertura de lojas e integração do Novo Atacarejo
  • EBITDA ajustado de R$ 652,1 milhões, crescimento de 3,1%, abaixo do ritmo da receita
  • Margem EBITDA de 6,2%, com redução de 1 ponto percentual
  • Vendas nas mesmas lojas (SSS) em -1,1%, indicando menor desempenho das unidades já maduras

Na prática, o crescimento veio majoritariamente da expansão física e não da evolução orgânica das lojas. Esse comportamento sugere um ambiente de consumo mais seletivo e maior pressão sobre o tíquete médio.

Desempenho anual reforça avanço com ajuste na operação

Já no acumulado de 2025, o grupo ampliou escala e presença regional, consolidando sua posição no varejo alimentar do Norte e Nordeste.

Os lucros e resultados de crescimento do Grupo Mateus no ano de 2025:

  • Receita líquida de R$ 38,4 bilhões, avanço de 19,8%
  • Lucro líquido ajustado de R$ 1,56 bilhão, alta de 21,2%
  • Abertura de 22 novas lojas, totalizando 302 unidades
  • Crescimento de 26,7% no atacado B2B, ampliando relevância do canal

Ao mesmo tempo, a empresa promoveu ajustes no portfólio, com o fechamento de 28 lojas do segmento de eletrodomésticos. A decisão indica priorização de operações com maior retorno e alinhamento estratégico.

Expansão e novos formatos ampliam alcance do grupo

Em 2025, a estratégia do Grupo Mateus envolveu a diversificação de formatos e o fortalecimento da atuação junto a diferentes perfis de clientes. A entrada em segmentos como foodservice e varejo premium reforça esse movimento e justifica os lucros do Grupo Mateus obtidos ao longo do ano, especialmente no quarto trimestre.

Além disso, a consolidação do Novo Atacarejo ampliou a escala operacional e contribuiu diretamente para o crescimento da receita. Por outro lado, essa integração também elevou custos e complexidade de gestão no curto prazo.

Estrutura financeira sustenta leitura do lucro do Grupo Mateus

O 2025 para o Grupo Mateus foi um ano de muitos desafios, um erro de R$ 1,1 bilhão identificado no valor dos estoques do balanço de 2024 acompanhou a empresa por todo 2025, provocando quedas fortes nas ações no final do ano. Porém, apesar da pressão operacional, os indicadores financeiros mostram manutenção de equilíbrio e capacidade de execução.

  • Geração de caixa de R$ 379,1 milhões no trimestre
  • Ciclo de caixa em 43 dias, com melhora relevante na gestão de capital de giro
  • Dívida líquida/EBITDA de 0,41x, indicando baixo nível de alavancagem

Esse conjunto aponta para uma estrutura que suporta a expansão, mesmo em um ambiente de consumo mais desafiador e com queda de ações provocada pelo mesmo erro de estoque.

Lucro do Grupo Mateus aponta limite do modelo de crescimento

O lucro do Grupo Mateus em 2025 reflete uma empresa que amplia escala, mas passa a enfrentar limites mais claros no desempenho das lojas já maduras. A desaceleração nas vendas comparáveis indica que o crescimento via expansão começa a perder força como único motor.

Nesse contexto, o foco tende a migrar para eficiência operacional, revisão de custos e ajustes no mix de produtos. O avanço da rede, por si só, já não garante o mesmo ritmo de resultado, o que exige maior disciplina na execução.

A leitura de mercado aponta que o próximo ciclo do grupo dependerá menos de novas aberturas e mais da capacidade de extrair produtividade das operações existentes. Portanto, um desafio típico de companhias que atingem maior escala no varejo alimentar.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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