China promete US$ 17 bi em produtos agrícolas dos EUA; entenda

China prometeu comprar US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas dos EUA até 2028. O acordo inclui soja, carne bovina, trigo e redução de barreiras comerciais.
Imagem de Donald Trump e Xi Jinping para ilustrar uma matéria jornalística sobre os produtos agrícolas da China e dos Estados Unidos.
China promete US$ 17 bi anuais em compras de produtos agrícolas dos EUA. (Imagem: divulgação/The White House)

A China prometeu comprar pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas dos Estados Unidos entre 2026 e 2028, numa tentativa de reconstruir o comércio agrícola entre as duas maiores economias do mundo após a escalada da guerra tarifária.

O compromisso foi confirmado pela Casa Branca após reuniões entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, realizadas na semana passada em Pequim. O pacote ainda inclui soja, carne bovina, trigo, sorgo, laticínios e outros produtos agropecuários.

O movimento ganhou peso porque ocorre depois de um colapso histórico no fluxo comercial agrícola entre os países. As exportações de produtos agrícolas americanas para a China despencaram 65,7% em 2025, caindo para US$ 8,4 bilhões, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A retomada das negociações sinaliza uma tentativa de estabilizar um dos setores mais afetados pela disputa tarifária iniciada ainda no primeiro mandato de Donald Trump.

Compras de produtos agrícolas: China e EUA ampliam fluxo de soja, grãos e laticínios

O novo acordo agrícola vai além da soja e envolve uma ampla cesta de exportações americanas destinadas ao mercado chinês.

Entre os produtos incluídos estão:

  • soja
  • carne bovina
  • trigo
  • sorgo
  • laticínios
  • grãos diversos

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que Washington espera crescimento de “duplo dígito” nas compras chinesas de produtos agrícolas americanos após os encontros entre Donald Trump e Xi Jinping na China.

A Casa Branca informou que os US$ 17 bilhões anuais não incluem compromissos adicionais de compra de soja acertados anteriormente entre os dois países.

O mercado passou a interpretar o acordo como uma tentativa de reconstrução gradual do comércio agrícola bilateral após meses de forte retração provocada pelas tarifas retaliatórias.

China reduz barreiras e reabre mercado para carne bovina dos EUA

Pequim também começou a flexibilizar restrições comerciais que atingiam o agronegócio americano desde o agravamento da guerra comercial.

Na sexta-feira, a China renovou por mais cinco anos as habilitações de 425 frigoríficos americanos de carne bovina que haviam perdido autorização após o vencimento dos registros no ano passado.

Além disso, autoridades chinesas aprovaram novas habilitações de exportação para outras 77 instalações americanas. O Ministério do Comércio da China afirmou que os dois países concordaram em avançar sobre:

  • barreiras não tarifárias
  • acesso ao mercado chinês
  • redução de tarifas
  • ampliação do comércio bilateral
  • facilitação das exportações agrícolas

O avanço ganhou relevância porque a carne bovina virou uma das áreas mais pressionadas pelas restrições comerciais entre Pequim e Washington nos últimos anos.

Tarifas agrícolas ainda pressionam comércio entre China e EUA

Apesar da reaproximação, parte das tarifas retaliatórias impostas pela China continua em vigor. Produtos agrícolas americanos ainda enfrentam taxa adicional de 10% nas importações chinesas.

Mesmo assim, operadores do mercado agrícola passaram a apostar em novos cortes tarifários nos próximos meses.

Analistas esperam redução de até 10% nas tarifas da soja americana, movimento que poderia reativar compras privadas chinesas interrompidas durante a última colheita dos EUA.

A dependência chinesa da soja americana caiu fortemente desde o início da guerra comercial. Em 2016, antes da primeira disputa tarifária entre os países, os EUA respondiam por 41% das compras chinesas de soja.

Em 2024, essa participação havia recuado para cerca de 20%, refletindo o avanço de fornecedores alternativos, especialmente o Brasil.

A retração virou um dos maiores símbolos da reorganização global do comércio agrícola nos últimos anos.

China e EUA criam conselhos para ampliar comércio bilateral

Além do acordo agrícola, os dois governos anunciaram a criação de um Conselho de Comércio EUA-China e de um Conselho de Investimento EUA-China.

Segundo o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, os novos mecanismos terão como foco ampliar estabilidade comercial e resolver disputas relacionadas ao acesso de produtos americanos ao mercado chinês.

O Ministério do Comércio chinês classificou os acordos atuais como “preliminares”, mas afirmou que ambos os lados pretendem acelerar soluções para obstáculos considerados críticos ao comércio bilateral.

A reaproximação acontece num momento em que inflação de alimentos, segurança alimentar e disputa geopolítica passaram a pressionar governos e cadeias globais de abastecimento.

O novo acordo também reforça a tentativa de reconstruir o fluxo comercial de produtos agrícolas entre China e Estados Unidos após anos de tarifas, restrições e queda nas exportações agrícolas americanas.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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