Cerebras estreia em Wall Street e ameaça domínio da Nvidia

A estreia da Cerebras em Wall Street mostrou que investidores passaram a apostar em alternativas à Nvidia na corrida global pelos chips de inteligência artificial.
Imagem da logo da Cerebras para ilustrar uma matéria jornalística sobre o IPO da Cerebras e a concorrência com a Nvidia.
Cerebras estreia bilionária e amplia pressão sobre a Nvidia. (Imagem: divulgação/Cerebras)

A corrida pelos chips de inteligência artificial ganhou um novo protagonista em Wall Street. A estreia da Cerebras Systems, apontada como uma das principais rivais da Nvidia, mostrou que investidores passaram a apostar bilhões em empresas capazes de desafiar a hegemonia da gigante americana na infraestrutura da IA.

A companhia encerrou o primeiro dia de negociação próxima de US$ 100 bilhões em valor de mercado, entrando em um grupo raro de empresas que estrearam acima desse patamar. A valorização ocorreu mesmo após as ações caírem 10% no primeiro pregão completo após o IPO.

O movimento expõe uma mudança importante no mercado de inteligência artificial. A disputa deixou de envolver apenas treinamento de modelos e passou a mirar velocidade, inferência e capacidade de resposta em tempo real.

O mercado já enxergava a Cerebras como mais do que uma fabricante de semicondutores. A empresa virou símbolo da tentativa de reduzir a dependência global da Nvidia num setor que movimenta centenas de bilhões de dólares.

Por que a Cerebras virou ameaça à Nvidia

A Nvidia construiu sua liderança usando GPUs capazes de executar grandes volumes de cálculos paralelos necessários para treinar modelos de IA.

A Cerebras tenta atacar outra etapa da corrida tecnológica: a inferência.

Esse processo ocorre quando sistemas de inteligência artificial utilizam dados já aprendidos para responder comandos, tomar decisões e operar aplicações em tempo real. A chamada IA agêntica aumentou a importância dessa etapa.

O diferencial da Cerebras está nos chamados ASICs personalizados, chips criados para tarefas específicas. A estratégia busca entregar:

  • mais velocidade
  • menor consumo energético
  • respostas mais rápidas
  • menor custo operacional

Segundo a companhia, o chip WSE-3 possui:

  • tamanho 57 vezes maior que a maior GPU disponível
  • 50 vezes mais transistores
  • foco total em inferência de IA

O CEO e cofundador Andrew Feldman afirmou que chips maiores conseguem processar mais informações simultaneamente e reduzir o tempo de resposta.

O mercado passou a buscar alternativas à Nvidia

A dominância da Nvidia começou a gerar preocupação entre investidores e grandes empresas de tecnologia devido à concentração do mercado de IA em um único fornecedor.

Esse cenário abriu espaço para novas apostas.

Além da Cerebras, outras companhias aceleraram investimentos em chips especializados:

  • SambaNova
  • D-Matrix
  • Groq
  • Rebellions

Gigantes como Google, Amazon, Meta e Microsoft também desenvolvem ASICs próprios para reduzir dependência da Nvidia.

A movimentação acontece porque a corrida da IA entrou numa nova fase econômica. O foco agora não está apenas em criar modelos mais avançados, mas em operar sistemas de IA em larga escala com custos menores.

Isso transformou eficiência computacional em prioridade financeira.

Mesmo utilizando tecnologia de 5 nanômetros, inferior aos chips mais avançados produzidos pela TSMC em 2 nanômetros, a Cerebras conseguiu atrair forte demanda do mercado.

A disputa da IA saiu dos chips e foi para os data centers

A Cerebras também mudou sua estratégia de negócios.

Durante anos, a empresa tentou vender semicondutores diretamente para clientes corporativos. Agora, passou a operar grande parte dos chips dentro de seus próprios data centers como serviço de nuvem.

Com isso, entrou diretamente na disputa contra:

  • Google Cloud
  • Microsoft Azure
  • Oracle
  • CoreWeave
  • Amazon Web Services (AWS)

A mudança ampliou o potencial de receita recorrente da empresa e ajudou a impulsionar o valuation do IPO.

A companhia anunciou em janeiro um acordo de nuvem de US$ 20 bilhões com a OpenAI válido até 2028. Já a AWS informou em março que começou a utilizar chips da Cerebras em seus data centers.

A empresa afirmou que a demanda já supera a capacidade produtiva da companhia.

A Cerebras está praticamente esgotada até 2027 mesmo acelerando expansão industrial e capacidade computacional.

O IPO da Cerebras pode acelerar atualizações da Nvidia e de empresas de IA

A abertura de capital também pode estimular novas listagens no setor de semicondutores voltados à inteligência artificial. O mercado passou a enxergar empresas especializadas em inferência como possíveis vencedoras da próxima fase da IA.

Uma das candidatas apontadas para IPO é a sul-coreana Rebellions, que recebeu aporte de US$ 400 milhões liderado por investidores como a Samsung.

A SambaNova também ganhou força após receber investimento de US$ 350 milhões com participação da Intel.

O avanço dessas empresas aumenta a pressão competitiva sobre a Nvidia justamente no momento em que governos e gigantes da tecnologia tentam diversificar fornecedores de infraestrutura de IA.

Mesmo ainda dominante, a Nvidia passou a enfrentar uma nova ameaça, a Cerebras, em Wall Street: investidores começaram a apostar que a próxima etapa da inteligência artificial pode não depender apenas das GPUs tradicionais.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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