Burger King troca Pepsi por Coca-Cola após 20 anos no Brasil

O Burger King substituirá a Pepsi pela Coca-Cola em quase mil restaurantes no Brasil. A troca amplia o domínio da Coca-Cola no fast-food e enfraquece a presença da Pepsi no setor.
Imagem de um lanche do Burger King para ilustrar uma matéria jornalística sobre a troca que a Burger King fez da Pepsi pela Coca-Cola.
Burger King troca Pepsi por Coca-Cola após 20 anos. (Imagem: Uluer Servet Yüce/Pixabay)

O Burger King decidiu trocar a Pepsi pela Coca-Cola no Brasil após duas décadas de parceria, numa mudança que amplia o domínio da Coca-Cola nas grandes redes de fast-food e reposiciona a estratégia da Zamp para consumo, preferência e rentabilidade.

A substituição ocorrerá em cerca de 982 restaurantes e inclui a migração gradual do sistema de free refill. A decisão expõe uma mudança importante no setor de alimentação rápida, onde bebidas passaram a funcionar como ativo de experiência, fidelização e percepção de qualidade.

O movimento também enfraquece a presença da Pepsi em um dos canais mais estratégicos do varejo alimentar brasileiro: o foodservice de grande escala.

Burger King aumenta a pressão sobre a Pepsi no setor de fast-food

A Coca-Cola já opera nas principais redes de alimentação do país, incluindo McDonald’s, Subway, Domino’s, KFC, Giraffas e Madero. Com a entrada do Burger King, a Pepsi perde um dos contratos mais simbólicos do setor.

A mudança aumenta a concentração da Coca-Cola justamente no ambiente considerado mais valioso para recorrência de consumo e associação emocional de marca.

O fast-food virou uma vitrine estratégica porque transforma refrigerantes em escolhas automáticas dentro da rotina dos consumidores. Diferentemente do supermercado, o consumo nas redes de alimentação cria repetição, conveniência e forte vínculo de hábito.

A perda do Burger King reduz ainda mais a presença da Pepsi nas grandes cadeias nacionais de alimentação rápida.

Segundo o estudo Brand Footprint Brasil 2025, da Kantar, a Coca-Cola liderou como a marca mais escolhida pelos brasileiros, com 644 milhões de CRPs, indicador que mede quantas vezes produtos são selecionados pelos consumidores.

O Burger King afirmou que a decisão não foi baseada em acordos comerciais. A companhia disse que pesquisas mostraram maior preferência dos consumidores pela Coca-Cola.

Coca-Cola virou ativo de experiência e consumo no Burger King

Durante anos, a associação entre Burger King e Pepsi virou parte da identidade da rede no Brasil. A troca encerra uma parceria histórica com a Pepsi e a Ambev, responsável pela distribuição da marca no país.

Agora, a Zamp decidiu eliminar uma fricção comum dentro dos restaurantes. Pedidos de “Whopper com Coca-Cola” eram frequentes mesmo sem a disponibilidade da bebida nas unidades.

A campanha criada para anunciar a mudança explora exatamente esse comportamento. No filme publicitário, um consumidor pede “Whopper, batata frita e Coca-Cola”. Após um breve silêncio, o atendente responde: “Pode ser”.

A estratégia tenta aproximar o Burger King dos hábitos mais consolidados de consumo no fast-food brasileiro.

Na primeira fase da migração, as lojas passam a vender:

  • Coca-Cola Original
  • Coca-Cola Sem Açúcar
  • Sprite
  • Fanta Laranja
  • Fanta Guaraná

A companhia informou que a instalação completa das máquinas de free refill deve levar alguns meses devido à complexidade operacional da troca em quase mil restaurantes.

Coca-Cola reforça estratégia da Zamp, dona do Burger King, para consumo e margem

A mudança acontece durante um período de reorganização da Zamp, controladora do Burger King no Brasil. O grupo alterou sua estrutura de gestão e marketing após mudanças internas iniciadas em 2025.

O Burger King se tornou a única marca da companhia com diretor de marketing exclusivo. Pedro Barbosa assumiu o cargo neste ano após a extinção da antiga estrutura centralizada de marketing do grupo.

A troca para Coca-Cola também carrega impacto operacional e financeiro porque bebidas possuem peso importante em margem, ticket médio e experiência de consumo dentro do fast-food.

Redes de alimentação passaram a tratar refrigerantes como elemento relevante para:

  • percepção de qualidade
  • fidelização
  • recorrência de compra
  • aumento de ticket
  • conveniência

O peso do Burger King dentro da Zamp ajuda a explicar a relevância estratégica da mudança:

  • R$ 1,1 bilhão em vendas líquidas no 1T26
  • crescimento anual de 6,7%
  • quase mil restaurantes envolvidos
  • forte presença nacional em franquias

No consolidado, a Zamp registrou receita bruta de R$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

Guerra entre Coca-Cola e Pepsi ganha novo peso no Brasil

A saída do Burger King amplia a vantagem da Coca-Cola nas grandes redes de alimentação do país, justamente num ambiente considerado decisivo para a construção de preferência de marca.

O foodservice se tornou estratégico porque influencia hábitos cotidianos de consumo e ajuda marcas de bebida a ganhar presença recorrente fora do varejo tradicional.

A Coca-Cola amplia esse domínio ao concentrar presença nas principais operações nacionais de fast-food.

O Burger King informou que consumidores poderão acompanhar quais unidades já operam com Coca-Cola por meio de um sistema de atualização em tempo real.

Com a troca no Burger King, a rivalidade histórica entre Coca-Cola e Pepsi deixa de ser apenas uma disputa publicitária. A concorrência passa a ganhar peso crescente dentro da experiência diária de consumo nas maiores redes de alimentação do Brasil.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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