Abrir empresas e manter negócios no Brasil voltou a figurar entre os maiores desafios do mundo para multinacionais e investidores em 2026. O país avançou no ranking global da burocracia justamente durante a implementação da reforma tributária.
O Brasil passou da sexta para a terceira posição entre os ambientes mais complexos para fazer negócios, segundo o Índice Global de Complexidade de Negócios (GBCI), divulgado pela TMF Group. O levantamento analisa 81 países e jurisdições responsáveis por mais de 90% da economia mundial.
A piora reacendeu o debate sobre o custo Brasil num momento em que o país tenta atrair investimentos, ampliar produtividade e acelerar crescimento econômico. O avanço no ranking elevou preocupações sobre insegurança regulatória e aumento dos custos operacionais.
Brasil no ranking dos países mais difíceis para fazer negócios em 2026
O ranking global mostra forte presença de economias latino-americanas entre os ambientes mais complexos para empresas.
Os 10 países mais difíceis do mundo para fazer negócios em 2026 são:
- Grécia
- México
- Brasil
- França
- Turquia
- Colômbia
- Bolívia
- Itália
- Argentina
- Peru
O avanço brasileiro chamou atenção porque o país ficou atrás apenas de Grécia e México e superou economias historicamente associadas à instabilidade regulatória, como Argentina, Turquia e Itália.
Entre os países considerados menos complexos aparecem:
- Ilhas Cayman
- Dinamarca
- Jersey
- Hong Kong
- Holanda
- Nova Zelândia
- República Tcheca
- Ilhas Virgens Britânicas
- Malta
- Curaçao
O contraste evidencia como sistemas tributários simplificados e regras previsíveis continuam sendo vantagem competitiva para atrair empresas e capital estrangeiro.
Por que o Brasil piorou no ranking global de burocracia
Segundo a TMF Group, o Brasil mantém uma “elevada complexidade estrutural”. O país exige que empresas convivam simultaneamente com:
- tributos federais;
- regras estaduais;
- normas municipais;
- obrigações trabalhistas;
- exigências contábeis;
- sistemas rigorosos de compliance.
O estudo aponta que mudanças regulatórias frequentes ampliaram insegurança operacional e elevaram custos indiretos das empresas.
A abertura de empresas, os processos de licenciamento e os registros regulatórios continuam entre os principais gargalos do ambiente corporativo brasileiro.
O impacto financeiro dessa estrutura vai além da burocracia diária. Empresas acabam direcionando recursos para áreas tributárias, jurídicas e administrativas em vez de ampliar investimentos, inovação e expansão operacional.
Reforma tributária ampliou fase de transição e adaptação
A implementação da reforma tributária teve impacto direto sobre companhias nacionais e investidores estrangeiros nos últimos 12 meses.
Embora o objetivo seja simplificar o sistema no longo prazo, a fase de transição adicionou novas camadas de adaptação fiscal, contábil e cambial.
Segundo a TMF Group no Brasil, o mercado ainda está ajustando operações às novas exigências regulatórias.
As empresas passaram a enfrentar:
- revisões fiscais constantes;
- adaptações contábeis;
- mudanças em compliance;
- atualizações societárias;
- novas interpretações tributárias.
O efeito prático foi aumento da complexidade operacional num momento em que empresas já conviviam com juros elevados, pressão de custos e desaceleração econômica global.
O ambiente ficou mais caro e imprevisível para operações locais e expansão internacional.
Brasil enfrenta dificuldade maior para atrair investimentos
O avanço do Brasil país mais difícil para fazer negócios ocorre num cenário de disputa global por fábricas, centros tecnológicos e capital estrangeiro.
Investidores internacionais avaliam não apenas tamanho de mercado, mas principalmente:
- previsibilidade regulatória;
- segurança jurídica;
- facilidade operacional;
- estabilidade tributária;
- velocidade de abertura empresarial.
O ranking reforça uma percepção histórica sobre o ambiente brasileiro:
- excesso de burocracia;
- carga administrativa elevada;
- insegurança tributária;
- lentidão regulatória;
- custos operacionais elevados.
Esses fatores reduzem competitividade e afetam decisões de expansão empresarial no país.
Enquanto isso, economias mais simples conseguem reduzir custos de conformidade e acelerar processos corporativos, aumentando capacidade de atrair investimentos internacionais.
Digitalização avançou, mas não resolveu o problema estrutural
Apesar da piora no ranking, a TMF Group identificou avanços importantes relacionados à digitalização de processos no Brasil.
A adoção de assinaturas eletrônicas, registros digitais e integração de sistemas ajudou a acelerar parte dos procedimentos administrativos.
Os principais avanços ocorreram em:
- autenticações digitais;
- tramitação documental;
- registros eletrônicos;
- integração operacional;
- validações administrativas.
Mesmo assim, a digitalização não conseguiu eliminar o principal problema estrutural do ambiente brasileiro: a sobreposição de exigências entre União, estados e municípios.
Em muitos casos, empresas continuam obrigadas a cumprir obrigações semelhantes em sistemas distintos, elevando tempo operacional e custos de conformidade.
O crescimento do Brasil entre os países mais complicados para realizar negócios mostra que tecnologia sozinha não resolve os problemas estruturais da burocracia brasileira. Enquanto regras, tributos e exigências continuam se multiplicando, empresas seguem operando num ambiente caro, lento e imprevisível para investir.



