Brasil vira o 3º país mais difícil do mundo para fazer negócios

O Brasil virou o 3º país mais difícil do mundo para fazer negócios em 2026, segundo a TMF Group. O avanço da burocracia, das exigências tributárias e da insegurança regulatória elevou custos operacionais e aumentou a pressão sobre empresas e investidores.
Imagem da bandeira do Brasil para ilustrar uma matéria jornalística sobre as dificuldades de fazer negócios no Brasil.
Brasil vira 3º país mais difícil do mundo para empresas. (Imagem: Samuel Costa Melo/Unsplash)

Abrir empresas e manter negócios no Brasil voltou a figurar entre os maiores desafios do mundo para multinacionais e investidores em 2026. O país avançou no ranking global da burocracia justamente durante a implementação da reforma tributária.

O Brasil passou da sexta para a terceira posição entre os ambientes mais complexos para fazer negócios, segundo o Índice Global de Complexidade de Negócios (GBCI), divulgado pela TMF Group. O levantamento analisa 81 países e jurisdições responsáveis por mais de 90% da economia mundial.

A piora reacendeu o debate sobre o custo Brasil num momento em que o país tenta atrair investimentos, ampliar produtividade e acelerar crescimento econômico. O avanço no ranking elevou preocupações sobre insegurança regulatória e aumento dos custos operacionais.

Brasil no ranking dos países mais difíceis para fazer negócios em 2026

O ranking global mostra forte presença de economias latino-americanas entre os ambientes mais complexos para empresas.

Os 10 países mais difíceis do mundo para fazer negócios em 2026 são:

  • Grécia
  • México
  • Brasil
  • França
  • Turquia
  • Colômbia
  • Bolívia
  • Itália
  • Argentina
  • Peru

O avanço brasileiro chamou atenção porque o país ficou atrás apenas de Grécia e México e superou economias historicamente associadas à instabilidade regulatória, como Argentina, Turquia e Itália.

Entre os países considerados menos complexos aparecem:

  • Ilhas Cayman
  • Dinamarca
  • Jersey
  • Hong Kong
  • Holanda
  • Nova Zelândia
  • República Tcheca
  • Ilhas Virgens Britânicas
  • Malta
  • Curaçao

O contraste evidencia como sistemas tributários simplificados e regras previsíveis continuam sendo vantagem competitiva para atrair empresas e capital estrangeiro.

Por que o Brasil piorou no ranking global de burocracia

Segundo a TMF Group, o Brasil mantém uma “elevada complexidade estrutural”. O país exige que empresas convivam simultaneamente com:

  • tributos federais;
  • regras estaduais;
  • normas municipais;
  • obrigações trabalhistas;
  • exigências contábeis;
  • sistemas rigorosos de compliance.

O estudo aponta que mudanças regulatórias frequentes ampliaram insegurança operacional e elevaram custos indiretos das empresas.

A abertura de empresas, os processos de licenciamento e os registros regulatórios continuam entre os principais gargalos do ambiente corporativo brasileiro.

O impacto financeiro dessa estrutura vai além da burocracia diária. Empresas acabam direcionando recursos para áreas tributárias, jurídicas e administrativas em vez de ampliar investimentos, inovação e expansão operacional.

Reforma tributária ampliou fase de transição e adaptação

A implementação da reforma tributária teve impacto direto sobre companhias nacionais e investidores estrangeiros nos últimos 12 meses.

Embora o objetivo seja simplificar o sistema no longo prazo, a fase de transição adicionou novas camadas de adaptação fiscal, contábil e cambial.

Segundo a TMF Group no Brasil, o mercado ainda está ajustando operações às novas exigências regulatórias.

As empresas passaram a enfrentar:

  • revisões fiscais constantes;
  • adaptações contábeis;
  • mudanças em compliance;
  • atualizações societárias;
  • novas interpretações tributárias.

O efeito prático foi aumento da complexidade operacional num momento em que empresas já conviviam com juros elevados, pressão de custos e desaceleração econômica global.

O ambiente ficou mais caro e imprevisível para operações locais e expansão internacional.

Brasil enfrenta dificuldade maior para atrair investimentos

O avanço do Brasil país mais difícil para fazer negócios ocorre num cenário de disputa global por fábricas, centros tecnológicos e capital estrangeiro.

Investidores internacionais avaliam não apenas tamanho de mercado, mas principalmente:

  • previsibilidade regulatória;
  • segurança jurídica;
  • facilidade operacional;
  • estabilidade tributária;
  • velocidade de abertura empresarial.

O ranking reforça uma percepção histórica sobre o ambiente brasileiro:

  • excesso de burocracia;
  • carga administrativa elevada;
  • insegurança tributária;
  • lentidão regulatória;
  • custos operacionais elevados.

Esses fatores reduzem competitividade e afetam decisões de expansão empresarial no país.

Enquanto isso, economias mais simples conseguem reduzir custos de conformidade e acelerar processos corporativos, aumentando capacidade de atrair investimentos internacionais.

Digitalização avançou, mas não resolveu o problema estrutural

Apesar da piora no ranking, a TMF Group identificou avanços importantes relacionados à digitalização de processos no Brasil.

A adoção de assinaturas eletrônicas, registros digitais e integração de sistemas ajudou a acelerar parte dos procedimentos administrativos.

Os principais avanços ocorreram em:

  • autenticações digitais;
  • tramitação documental;
  • registros eletrônicos;
  • integração operacional;
  • validações administrativas.

Mesmo assim, a digitalização não conseguiu eliminar o principal problema estrutural do ambiente brasileiro: a sobreposição de exigências entre União, estados e municípios.

Em muitos casos, empresas continuam obrigadas a cumprir obrigações semelhantes em sistemas distintos, elevando tempo operacional e custos de conformidade.

O crescimento do Brasil entre os países mais complicados para realizar negócios mostra que tecnologia sozinha não resolve os problemas estruturais da burocracia brasileira. Enquanto regras, tributos e exigências continuam se multiplicando, empresas seguem operando num ambiente caro, lento e imprevisível para investir.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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