Cerca de R$ 2,2 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) continuam sem saque meses após a liquidação do conglomerado Banco Master. Ao todo, 117,7 mil investidores ainda não solicitaram os recursos protegidos pelo sistema financeiro.
O caso mostra uma mudança importante na maior operação recente de ressarcimento bancário do país. O problema deixou de ser capacidade de pagamento e passou a envolver investidores que ainda não iniciaram o processo de resgate das garantias.
O FGC já liberou aproximadamente R$ 39,7 bilhões para clientes das instituições financeiras envolvidas na liquidação do Banco Master. O valor corresponde a 97,87% de todo o montante previsto para devolução aos credores.
Banco Master concentra maior número de investidores sem resgate no FGC
Entre todas as operações do FGC, a maior parte dos valores ainda pendentes está ligada ao Banco Master e ao Will Bank, que também foi liquidado pelo Banco Central.
Segundo dados do FGC, seguem sem solicitação:
- 42,3 mil credores do Banco Master;
- 37,9 mil clientes do Will Bank com saldo acima de R$ 1.000;
- 18,1 mil investidores do Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central em fevereiro;
- 13,2 mil credores do Master de Investimento;
- 6 mil clientes do Letsbank.
No caso do Will Bank, o próprio fundo afirma que muitos investidores ainda não resgataram os recursos porque possuem créditos inferiores a R$ 10. Isso ajuda a explicar por que parte das garantias permanece parada mesmo após meses de pagamentos.
FGC Banco Master entra numa fase mais lenta de pagamentos
O avanço dos pagamentos desacelerou porque os grandes volumes financeiros já foram praticamente liquidados. Agora, o ritmo depende principalmente da adesão dos investidores que ainda não fizeram a solicitação formal.
Os pagamentos continuam sendo realizados pelo aplicativo oficial do FGC para clientes do Banco Master, Master de Investimento, Letsbank e Pleno.
Já os clientes do Will Bank:
- com saldo acima de R$ 1.000 recebem pelo aplicativo do FGC;
- com valores inferiores a R$ 1.000 recebem pelo aplicativo do próprio banco.
Entre os investidores do Will Bank com saldo acima de R$ 1.000, o fundo já liberou:
- cerca de R$ 5,3 bilhões;
- pagamentos para aproximadamente 255 mil credores;
- 86,96% do valor previsto;
- 80,81% dos beneficiários esperados.
Nos casos envolvendo créditos inferiores a R$ 1.000 no Will Bank, o FGC já pagou aproximadamente R$ 128 milhões para cerca de 1,2 milhão de investidores.
Mesmo assim, esse grupo representa apenas 19,12% do total previsto de beneficiários, mostrando um número elevado de contas pequenas ainda sem movimentação.
FGC enfrenta maior sequência de ressarcimentos da história após crise do Banco Master
Nos últimos meses, o FGC vem concentrando as maiores operações de ressarcimento já realizadas no sistema financeiro brasileiro. As liquidações de instituições ligadas ao conglomerado Master obrigaram o fundo a mobilizar cerca de R$ 51,8 bilhões em garantias, no maior acionamento desde a criação do mecanismo em 1995.
A principal operação envolve o Banco Master, Master de Investimento e Letsbank, que juntos consumiram aproximadamente R$ 40,6 bilhões do fundo. O Will Bank aparece logo atrás, com estimativa de R$ 6,3 bilhões em pagamentos, enquanto o Banco Pleno adicionou outros R$ 4,9 bilhões após entrar em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro.
O impacto da sequência de liquidações passou a pressionar a própria estrutura financeira do fundo. Após os desembolsos ligados ao caso Master, o patrimônio líquido do FGC caiu mais de R$ 17 bilhões em 2025, enquanto o Conselho Monetário Nacional (CMN) endureceu regras para bancos médios que dependem fortemente de captação via CDBs e produtos cobertos pela garantia de até R$ 250 mil.
Crise expõe dependência do mercado em relação ao FGC
O episódio também revelou como bancos médios ampliaram fortemente a captação de investidores usando produtos protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos.
A garantia de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ ajudou instituições financeiras menores a competir oferecendo rentabilidade elevada em aplicações como:
- Certificado de Depósito Bancário (CDB);
- Recibo de Depósito Bancário (RDB);
- Letra de Crédito Imobiliário (LCI);
- Letra de Crédito do Agronegócio (LCA);
- Letra de Câmbio (LC).
O caso do conglomerado Master acabou funcionando como um teste relevante da capacidade operacional do fundo. O volume já desembolsado mostrou força financeira para absorver uma liquidação bilionária, mas também expôs o tamanho da dependência do mercado em relação às garantias oferecidas pelo sistema.
Com o FGC entrando na reta final de pagamentos aos credores do Banco Master, a operação passa a mostrar um retrato do comportamento financeiro brasileiro. Afinal, milhares de investidores continuam deixando dinheiro disponível sem movimentação, mesmo após uma liquidação de grande repercussão nacional.



