Liquidação do Will Bank amplia alcance do caso Banco Master

A liquidação do Will Bank foi decretada pelo Banco Central após constatação de insolvência e controle do Banco Master, acionando o FGC e ampliando os efeitos do maior caso recente do sistema financeiro. Continue lendo e saiba mais.
liquidação do Will Bank
Banco Central decretou a liquidação do Will Bank após avaliar insolvência e vínculo com o Banco Master (Foto: Reprodução/Will Bank/Redes Sociais)

A liquidação extrajudicial do Will Bank foi decretada pelo Banco Central do Brasil nesta quarta-feira (21/01), ampliando os efeitos do processo iniciado contra o Banco Master em novembro de 2025. A autoridade monetária apontou insolvência da instituição e vínculo de controle exercido pelo banco já liquidado, o que inviabilizou a continuidade das operações.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, assinou o ato e cita o comprometimento da situação econômico-financeira da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. Segundo o regulador, o exercício de poder de controle pelo Banco Master tornou inevitável a extensão do regime especial.

Liquidação do Will Bank e a decisão do Banco Central

A liquidação do Will Bank ocorre dois meses após o Banco Central ter decretado a liquidação extrajudicial do Banco Master, em 18 de novembro de 2025. Naquele momento, o regulador optou por preservar a controlada, ao avaliar a existência de interessados na compra do negócio.

Contudo, a tentativa de venda sob administração especial temporária, que poderia durar até 120 dias, não avançou. Portanto, sem uma solução de mercado, o Banco Central concluiu que a instituição não reunia condições de recuperação, encerrando de forma definitiva suas atividades no Sistema Financeiro Nacional.

Onda recente de liquidações no sistema financeiro

A liquidação do Will Bank ocorre em um momento de atuação mais intensa do Banco Central sobre instituições consideradas inviáveis. Em janeiro, a autoridade monetária também decretou a liquidação extrajudicial da Advanced Corretora de Câmbio, citando fragilidade econômico-financeira e descumprimento de normas prudenciais.

No mesmo período, foi determinada a liquidação da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Investimentos. Nesse caso, parte dos fatos analisados pelo regulador envolve operações relacionadas ao Banco Master, diferentemente da Advanced, para a qual não há indicação oficial de vínculo com aquele banco. As ações, portanto, sinalizam uma postura mais rigorosa do regulador diante de estruturas que ampliam riscos operacionais e de governança no setor.

Efeitos para investidores e atuação do FGC

Com a liquidação do Will Bank, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passou a cobrir os Certificados de Depósitos Bancários (CDB) emitidos pela instituição, até o limite de R$ 250 mil por CPF. Porém, o fundo ainda não comentou oficialmente a decisão.

Além disso, o episódio ocorre enquanto o FGC executa o maior pagamento de sua história, relacionado ao Banco Master. O desembolso estimado chega a R$ 40,6 bilhões, envolvendo cerca de 800 mil investidores. Até agora, investidores registraram cerca de 600 mil pedidos, dos quais 448 mil já tiveram a solicitação concluída.

Liquidação do Will Bank e os números da instituição

Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido próximo de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central.

Em setembro, a instituição mantinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não operava com depósitos à vista. Além disso, antes do anúncio oficial, a Mastercard deixou de aceitar transações com cartões do banco após operações não liquidadas no arranjo de pagamentos.

Por fim, ao decretar a liquidação do Will Bank, o Banco Central reforça uma estratégia mais rígida diante de estruturas societárias que ampliam riscos entre instituições conectadas. Portanto, o caso tende a servir como referência para análises futuras sobre controle, governança e limites de preservação.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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