A Berkshire Hathaway transformou a Alphabet, a dona do Google, em uma de suas maiores apostas no primeiro trimestre de 2026 e ampliou a exposição ao setor mais disputado de Wall Street: a inteligência artificial.
A companhia elevou sua posição na Alphabet de cerca de 18 milhões para quase 58 milhões de ações, participação agora avaliada em aproximadamente US$ 23 bilhões. Ao mesmo tempo, reduziu apostas históricas em petróleo, saúde e meios de pagamento.
O movimento ganhou peso porque acontece durante a transição de poder na Berkshire. Greg Abel assumiu o comando executivo do conglomerado enquanto Ted Weschler ganhou mais influência sobre a gestão dos investimentos.
A Berkshire também iniciou uma nova posição bilionária na Delta Air Lines e promoveu uma das maiores rotações de carteira dos últimos anos.
Investimento na Alphabet mostra mudança histórica no perfil da Berkshire Hathaway
O aumento agressivo da posição na Alphabet chamou atenção porque a Berkshire Hathaway construiu sua reputação justamente evitando empresas de tecnologia durante grande parte da era Warren Buffett.
A mudança indica uma adaptação gradual da companhia ao novo ciclo dominado por inteligência artificial, computação em nuvem e infraestrutura digital.
A Alphabet virou um dos principais símbolos dessa transformação após acelerar a integração de IA generativa no Google Search, YouTube e Google Cloud.
A Berkshire realizou uma forte reorganização da carteira no trimestre:
- vendeu cerca de US$ 24 bilhões em ações;
- comprou aproximadamente US$ 16 bilhões;
- reduziu participação na Chevron;
- saiu de posições em Visa, Mastercard, Aon e UnitedHealth.
O mercado passou a interpretar o movimento como um sinal claro de mudança no perfil histórico da Berkshire Hathaway.
Compra do Google amplia exposição indireta à inteligência artificial
A Berkshire aumentou exposição à inteligência artificial sem precisar investir diretamente em startups altamente especulativas ou fabricantes de chips mais voláteis.
A estratégia permite participação em áreas consideradas centrais para o avanço da IA:
- publicidade digital;
- computação em nuvem;
- busca online;
- processamento de dados;
- modelos generativos.
A Alphabet também mantém uma característica historicamente valorizada pela Berkshire: forte geração de caixa mesmo em ciclos econômicos mais pressionados.
Nos últimos anos, investidores passaram a cobrar maior exposição à IA de conglomerados tradicionais. A Berkshire vinha sendo vista como excessivamente dependente de setores mais maduros da economia americana.
A ampliação da posição no Google reduz essa percepção e aproxima a companhia do principal fluxo de capital atual de Wall Street.
Berkshire reduz Chevron enquanto tecnologia ganha espaço
A redução da Chevron virou outro dos principais sinais da mudança estratégica da Berkshire Hathaway.
A companhia cortou cerca de 46 milhões de ações da petroleira, reduzindo sua posição para aproximadamente 84 milhões de papéis, ainda avaliados em cerca de US$ 16 bilhões.
A movimentação aconteceu num momento em que:
- empresas de IA concentram o interesse dos investidores;
- o petróleo enfrenta maior volatilidade;
- o crescimento global desacelera;
- tecnologia domina fluxo de capital.
A Berkshire também iniciou uma posição relevante na Delta Air Lines, com quase 40 milhões de ações, avaliadas em aproximadamente US$ 3 bilhões.
A compra surpreendeu Wall Street porque Warren Buffett abandonou completamente o setor aéreo durante a pandemia após afirmar que a indústria havia mudado estruturalmente.
Agora, a volta agressiva ao segmento sugere visão mais otimista sobre consumo, viagens e atividade econômica nos Estados Unidos.
Era pós-Buffett começa a mudar o DNA da Berkshire Hathaway
As mudanças também refletem a saída do gestor Todd Combs, que deixou a Berkshire para assumir um cargo no JPMorgan Chase.
Combs administrava aproximadamente US$ 15 bilhões de um portfólio superior a US$ 300 bilhões, e sua saída ampliou a influência de Ted Weschler sobre os investimentos da companhia.
O mercado acompanha de perto os primeiros sinais da gestão de Greg Abel sobre o portfólio da Berkshire Hathaway.
Embora Warren Buffett permaneça como chairman e ainda tenha influência nas decisões, investidores passaram a enxergar mudanças graduais na filosofia da empresa.
A Berkshire também ampliou posições menores:
- triplicou participação no New York Times;
- aumentou exposição na construtora Lennar;
- iniciou posição na Macy’s.
Mesmo assim, a compra bilionária da Alphabet dominou a leitura do mercado por representar uma aproximação direta da Berkshire Hathaway ao centro da corrida global da inteligência artificial.
Durante décadas, a Berkshire Hathaway simbolizou a velha guarda de Wall Street. Agora, começa a deslocar bilhões justamente para o setor que concentra a nova disputa global por dados, tecnologia e inteligência artificial.



