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IGP-10 de março recua 0,24% com queda de commodities e passagens aéreas

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) caiu 0,24% em março de 2026, segundo a FGV. O recuo foi puxado pela queda de commodities como minério de ferro, soja e milho, além da forte redução nas passagens aéreas. O dado indica desaceleração tanto no atacado quanto no consumo. Saiba mais.

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de março registrou queda de 0,24%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (17/03) pela Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). O indicador mede a variação de preços desde matérias-primas no atacado até bens e serviços ao consumidor, sendo usado como referência para contratos e reajustes na economia.

Na leitura de março, o índice manteve trajetória negativa após recuar 0,42% em fevereiro e passou a acumular queda de 0,36% no ano e de 2,53% em 12 meses, refletindo a combinação de recuo nas commodities e desaceleração em itens de consumo e construção.

IGP-10 de março e o peso das commodities

A queda do IGP-10 de março teve como principal origem o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que recuou 0,39% no mês.

Segundo o economista André Braz, do FGV IBRE, a retração está ligada aos preços internacionais de matérias-primas. “O índice de preços ao produtor segue registrando queda nas commodities de maior peso, especialmente minério de ferro, soja e milho.”

Entre os principais impactos no atacado:

  • Quedas relevantes:
  • Altas que limitaram a queda:
    • Ovos (16,84%)
    • Feijão (22,51%)
    • Bovinos (5,56%)

Esse contraste entre grãos e pecuária, inclusive, evitou uma retração mais profunda do índice.

Inflação ao consumidor perde força

No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), presente no IGP-10 de março, avançou apenas 0,03%, mostrando desaceleração frente aos 0,50% de fevereiro.

De acordo com Braz, a queda de serviços teve papel direto no resultado. “Destacam-se os movimentos de cursos formais e passagens aéreas, ambos registrando retração em suas taxas de variação.”

Destaques do consumidor no IGP-10 de março:

  • Pressões negativas:
  • Pressões positivas:
    • Serviços bancários (1,05%)
    • Aluguel residencial (0,60%)

O dado indica perda de ritmo da inflação percebida pelas famílias.

Construção civil desacelera

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), outro medidor do IGP-10 de março, subiu 0,29% em março, abaixo dos 0,47% registrados no mês anterior.

Os três componentes mostraram desaceleração:

  • Materiais e equipamentos: 0,28%
  • Serviços: 0,25%
  • Mão de obra: 0,31%

Segundo o FGV IBRE, a alta mais moderada da mão de obra ajudou a reduzir o ritmo de avanço dos custos no setor.

IGP-10 março 2026 e o que o dado sinaliza

A composição do IGP-10 mostra uma combinação clara em março: queda no atacado, desaceleração no consumo e custos menos pressionados na construção.

Esse padrão indica que os choques de preços vindos das commodities seguem perdendo força, enquanto o consumidor começa a refletir esse ajuste em itens específicos.

Ainda assim, o comportamento do índice continua diretamente ligado ao cenário externo e aos preços das matérias-primas, fator que tende a definir a trajetória dos próximos resultados do Índice Geral de Preços-10.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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