O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de março registrou queda de 0,24%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (17/03) pela Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). O indicador mede a variação de preços desde matérias-primas no atacado até bens e serviços ao consumidor, sendo usado como referência para contratos e reajustes na economia.
Na leitura de março, o índice manteve trajetória negativa após recuar 0,42% em fevereiro e passou a acumular queda de 0,36% no ano e de 2,53% em 12 meses, refletindo a combinação de recuo nas commodities e desaceleração em itens de consumo e construção.
IGP-10 de março e o peso das commodities
A queda do IGP-10 de março teve como principal origem o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que recuou 0,39% no mês.
Segundo o economista André Braz, do FGV IBRE, a retração está ligada aos preços internacionais de matérias-primas. “O índice de preços ao produtor segue registrando queda nas commodities de maior peso, especialmente minério de ferro, soja e milho.”
Entre os principais impactos no atacado:
- Quedas relevantes:
- Minério de ferro (-5,21%)
- Café em grão (-11,58%)
- Suínos (-10,64%)
- Altas que limitaram a queda:
- Ovos (16,84%)
- Feijão (22,51%)
- Bovinos (5,56%)
Esse contraste entre grãos e pecuária, inclusive, evitou uma retração mais profunda do índice.
Inflação ao consumidor perde força
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), presente no IGP-10 de março, avançou apenas 0,03%, mostrando desaceleração frente aos 0,50% de fevereiro.
De acordo com Braz, a queda de serviços teve papel direto no resultado. “Destacam-se os movimentos de cursos formais e passagens aéreas, ambos registrando retração em suas taxas de variação.”
Destaques do consumidor no IGP-10 de março:
- Pressões negativas:
- Passagens aéreas (-20,46%)
- Café em pó, cujos preços avançaram em fevereiro (-1,98%)
- Pressões positivas:
- Serviços bancários (1,05%)
- Aluguel residencial (0,60%)
O dado indica perda de ritmo da inflação percebida pelas famílias.
Construção civil desacelera
Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), outro medidor do IGP-10 de março, subiu 0,29% em março, abaixo dos 0,47% registrados no mês anterior.
Os três componentes mostraram desaceleração:
- Materiais e equipamentos: 0,28%
- Serviços: 0,25%
- Mão de obra: 0,31%
Segundo o FGV IBRE, a alta mais moderada da mão de obra ajudou a reduzir o ritmo de avanço dos custos no setor.
IGP-10 março 2026 e o que o dado sinaliza
A composição do IGP-10 mostra uma combinação clara em março: queda no atacado, desaceleração no consumo e custos menos pressionados na construção.
Esse padrão indica que os choques de preços vindos das commodities seguem perdendo força, enquanto o consumidor começa a refletir esse ajuste em itens específicos.
Ainda assim, o comportamento do índice continua diretamente ligado ao cenário externo e aos preços das matérias-primas, fator que tende a definir a trajetória dos próximos resultados do Índice Geral de Preços-10.





