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Ações da Magazine Luiza deixam zona de venda após tombo de quase 40% em 2026

As ações da Magazine Luiza deixaram de receber recomendação de venda do Citi após acumularem queda próxima de 40% em 2026. O banco vê melhor equilíbrio entre risco e retorno, mas mantém cautela com juros, dívida e concorrência no e-commerce.
Fachada de uma loja da Magazine Luiza com área de eletrônicos em destaque, imagem usada em matéria sobre as ações da Magazine Luiza e a revisão da recomendação pelo Citi.
Citi elevou a recomendação das ações da Magazine Luiza para neutra após a forte queda acumulada em 2026. (Foto: Divulgação/Magazine Luiza)

A forte desvalorização das ações da Magazine Luiza (MGLU3) ao longo de 2026 provocou uma mudança importante na leitura do mercado sobre a companhia. O Citi, um dos maiores bancos de investimento do mundo, elevou sua recomendação de venda para neutra, não porque os desafios desapareceram, mas porque boa parte deles já parece refletida no preço dos papéis.

A mudança ocorre em um momento em que a varejista continua enfrentando juros elevados, desaceleração do consumo e pressão competitiva no comércio eletrônico. Ainda assim, a ação passou a oferecer uma relação entre risco e retorno considerada mais equilibrada pelo banco.

O movimento chama atenção porque ocorreu ao mesmo tempo em que o Citi reduziu projeções de lucro e cortou o preço-alvo da companhia.

Por que o Citi deixou de recomendar venda de ações da Magazine Luiza

O banco reduziu o preço-alvo de R$ 7 para R$ 6,50, mas destacou que a cotação atual já absorveu grande parte dos riscos que vinham justificando uma recomendação negativa.

Desde janeiro, os papéis da varejista acumulam queda próxima de 40%, desempenho que colocou a empresa entre as mais penalizadas do setor de consumo na Bolsa.

Na avaliação do Citi, o mercado já precificou fatores como:

  • Selic elevada por mais tempo;
  • demanda mais fraca por eletrodomésticos;
  • desaceleração na venda de eletrônicos;
  • menor crescimento do consumo das famílias.

O resultado é uma mudança de percepção. O banco não afirma que o cenário operacional melhorou de forma significativa, mas entende que o desconto aplicado pelo mercado tornou as ações da Magazine Luiza menos vulneráveis a novas revisões negativas.

O que sustenta a tese de que o pior pode estar no preço

A forte correção das ações da Magazine Luiza não ocorreu em um momento de deterioração total da operação. Um dos pontos destacados pelo Citi foi justamente a disciplina operacional da companhia. Segundo o relatório, as despesas gerais e administrativas cresceram abaixo da inflação em dez dos últimos treze trimestres, sinalizando controle de custos mesmo em um ambiente econômico adverso.

Outro fator observado foi o reforço da estratégia voltada para lojas físicas. O banco avalia que esse canal oferece margens superiores às do marketplace e continua sendo uma vantagem competitiva relevante para a empresa, especialmente em um cenário de competição cada vez mais intensa no comércio eletrônico.

A expectativa, portanto, é de aceleração das vendas físicas no segundo trimestre, impulsionada pela Copa do Mundo. O Citi acredita que o evento pode estimular a demanda por categorias tradicionalmente ligadas ao consumo de eletrônicos, como:

  • televisores;
  • equipamentos de áudio;
  • acessórios de entretenimento doméstico;
  • produtos relacionados à experiência esportiva.

Além de ampliar o volume de vendas, esse movimento tende a favorecer linhas de maior rentabilidade para o varejo. Na avaliação do banco, esses fatores ajudam a explicar por que as ações da Magazine Luiza passaram a apresentar uma relação entre risco e retorno mais equilibrada, mesmo sem uma mudança significativa no cenário macroeconômico.

Juros, dívida e e-commerce ainda limitam uma recuperação mais forte

A mudança na recomendação não significa que o Citi tenha se tornado otimista com a Magazine Luiza. O banco continua vendo obstáculos relevantes para uma recuperação mais consistente, especialmente em um ambiente de juros elevados, que pesa mais sobre empresas com maior nível de endividamento.

Nos três primeiros meses de 2026, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado superou três vezes, aumentando a exposição da varejista ao custo de capital. Esse cenário levou o Citi a revisar suas projeções e reduzir a estimativa de lucro para 2026 de R$ 273 milhões para R$ 113 milhões após um início de ano abaixo do esperado.

O comércio eletrônico também segue pressionado. A instituição projeta retração do volume bruto de mercadorias no segundo trimestre, com queda próxima de 5% no marketplace. A avaliação é que a concorrência continua se intensificando entre grandes plataformas, exigindo investimentos permanentes em logística, tecnologia e aquisição de clientes.

Por isso, a mudança de recomendação está menos relacionada a uma melhora dos fundamentos e mais à percepção de preço. Para o Citi, os riscos continuam elevados, mas a forte correção das ações da Magazine Luiza reduziu a distância entre o valor de mercado da companhia e os desafios que ainda cercam o negócio.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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