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Fundos de investimento nas redes sociais avançam 170% e mudam a busca por orientação financeira

As conversas sobre fundos de investimento nas redes sociais cresceram 170% em cinco anos. O avanço fortalece influenciadores financeiros, amplia o alcance da educação financeira digital e muda a forma como investidores buscam informações sobre aplicações.
Pessoa utiliza notebook em mesa de trabalho enquanto consulta anotações e materiais de estudo, em ambiente associado à produção de conteúdo e análise de informações financeiras.
Crescimento dos fundos nas redes sociais reflete a expansão da educação financeira digital no país (Foto: Reprodução)

Os fundos de investimento nas redes sociais deixaram de ser assunto restrito a investidores experientes e passaram a ocupar espaço cada vez maior no debate financeiro digital. Levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) mostra que as menções ao tema cresceram 170% entre 2020 e 2025.

O movimento ocorre ao mesmo tempo em que influenciadores financeiros ampliam audiência, plataformas de vídeo ganham relevância e investidores buscam novas formas de entender produtos cada vez mais complexos. O resultado é uma transformação na forma como informações sobre investimentos circulam e influenciam decisões financeiras.

O crescimento dos fundos de investimento nas redes sociais não representa apenas mais conteúdo sobre aplicações. A mudança indica que parte dos investidores passou a buscar orientação fora dos canais tradicionais do mercado financeiro, recorrendo a criadores especializados para interpretar cenários econômicos, comparar alternativas e compreender estratégias de alocação.

Por que fundos ganharam espaço nas redes sociais

A décima edição da pesquisa FInfluence, elaborada pela Anbima em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad), identificou que as menções aos fundos saltaram de 28 mil em 2020 para 76,5 mil no fim de 2025.

O avanço coincide com um período marcado pela expansão da educação financeira digital, maior interesse por investimentos e crescimento do número de brasileiros que acompanham conteúdos especializados em redes sociais.

A própria Anbima também buscou ampliar a exposição do tema. A campanha publicitária “No fundo você pode”, lançada em julho do ano passado e encerrada em abril deste ano, teve como objetivo popularizar os fundos junto ao público.

As abordagens mais comuns encontradas pela pesquisa foram:

  • Conteúdos informativos (21,8%);
  • Estratégias de investimento (20,8%);
  • Conteúdos didáticos (19,4%);
  • Análises sobre alocação de recursos;
  • Comparações entre alternativas de investimento.

A predominância desses formatos sugere que o interesse do público está menos ligado à promoção de produtos e mais à busca por conhecimento que ajude a interpretar riscos, oportunidades e estratégias de longo prazo.

Influenciadores financeiros passam a disputar espaço com instituições

O crescimento das conversas foi acompanhado pela expansão do ecossistema de criadores especializados. A pesquisa contabilizou 904 influenciadores ativos no segundo semestre de 2025, alta de 22% em relação aos 741 registrados um ano antes.

Os criadores individuais lideram essa transformação. Segundo o levantamento, pessoas físicas concentram 61% das menções relacionadas a fundos e respondem por 81,5% de todo o engajamento observado no segmento.

Os números mostram que a influência sobre decisões financeiras passou a ser compartilhada entre instituições tradicionais e criadores de conteúdo capazes de traduzir temas técnicos para audiências mais amplas. O crescimento dos fundos de investimento nas redes sociais ajuda a explicar essa mudança de comportamento.

Essa mudança aparece também nos indicadores de interação. O engajamento médio das publicações relacionadas a fundos avançou de 1.618 interações em 2021 para 4.734 em 2025. O desempenho ficou acima da média observada nas publicações sobre investimentos e finanças em geral, que registraram 2.757 interações.

YouTube lidera avanço e revela nova dinâmica da educação financeira

O YouTube consolidou sua posição como principal plataforma para conteúdos relacionados a fundos de investimento. A rede respondeu por 53,5% das menções registradas no segundo semestre de 2025.

Desde 2020, o volume de conteúdos sobre fundos publicados na plataforma cresceu 346%. O Instagram aparece na sequência, concentrando aproximadamente 30% das publicações monitoradas pela pesquisa.

Além disso, os conteúdos didáticos registraram a maior média de engajamento da pesquisa, com 9.306 interações por publicação.

Também se destacaram:

  • conteúdos estratégicos sobre alocação de recursos;
  • análises comparativas entre investimentos;
  • opiniões sobre o cenário econômico;
  • discussões relacionadas a fundos imobiliários.

A análise de 108 publicações de destaque em 2025 revelou ainda que 42,1% das interações ocorreram em conteúdos que misturavam investimentos, política, humor ou comentários sobre decisões econômicas.

O dado sugere que os fundos passaram a ocupar espaço em discussões mais amplas sobre economia, juros, mercado financeiro e expectativas para o país.

Fundos de investimento nas redes sociais mudam a busca por informação financeira

O avanço dos fundos de investimento nas redes sociais revela uma mudança estrutural na educação financeira brasileira. Mais do que ampliar o alcance de um produto específico, o crescimento mostra como influenciadores, plataformas digitais e novos formatos de conteúdo passaram a exercer papel cada vez mais relevante nas decisões de investimento.

À medida que mais investidores recorrem às redes para pesquisar oportunidades, comparar estratégias e acompanhar o cenário econômico, a disputa deixa de ser apenas entre fundos. Ela passa a envolver credibilidade, capacidade de explicação e influência sobre a forma como o mercado financeiro é compreendido pelo público.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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