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Produção de café no Brasil avança com recuperação do arábica em 2026/27

A produção de café no Brasil deve crescer em 2026/27, puxada pelo arábica. Estimativa aponta oferta maior, exportações em alta e estoques ainda ajustados no país.
Produção de café no Brasil em lavoura de arábica
Clima mais ameno no pré-florada sustenta recuperação da produção de café no Brasil em 2026/27. Imagem: Canva

A produção de café no Brasil deve alcançar 69,3 milhões de sacas de 60 kg na safra 2026/27, segundo estimativa divulgada na quarta-feira (04/02) pelo Itaú BBA. O volume representa avanço de 10,1% frente à temporada anterior e reflete uma combinação de clima menos adverso e recuperação produtiva do café arábica, após ciclos marcados por perdas climáticas.

Mesmo com o crescimento, o número permanece abaixo do pico registrado em 2020/21, quando o país colheu 69,9 milhões de sacas. Ainda assim, o banco avalia que o atual cenário sinaliza recomposição parcial da oferta, em um mercado que segue atento à confirmação das condições ao longo do ciclo.

Produção de café no Brasil e a virada do arábica

O principal vetor da alta projetada na produção de café no Brasil é o arábica. A estimativa aponta colheita de 44,8 milhões de sacas, crescimento anual de 18%. O Itaú BBA atribui esse desempenho a temperaturas mais amenas no período de pré-florada, que favoreceram o pegamento das lavouras, apesar de chuvas ainda abaixo da média em 2025.

Após anos de eventos climáticos extremos, o banco observa que o arábica entra em um ciclo mais favorável, ainda que o risco climático não esteja totalmente afastado. Por isso, o mercado mantém postura cautelosa até que a safra esteja consolidada.

No caso do canéfora, que engloba robusta e conilon, a produção foi estimada em 24,5 milhões de sacas, queda de 2% na comparação anual. Segundo o Itaú BBA, o desempenho segue positivo em regiões como Espírito Santo e Bahia, o que ajuda a sustentar a oferta, mesmo com ajuste no volume total.

Oferta, exportações e consumo interno

As projeções indicam que a produção de café no Brasil deve sustentar um aumento de 12% nas exportações no ciclo 2026/27, para 45,6 milhões de sacas no período de julho a junho. O dado reforça a posição do país como maior exportador global, em um contexto de demanda externa ainda firme.

No mercado doméstico, o consumo foi estimado em 22,3 milhões de sacas, praticamente estável em relação ao ciclo anterior. O Brasil mantém, assim, a posição de segundo maior consumidor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.

Com maior oferta e exportações em alta, os estoques finais devem subir para 2 milhões de sacas, volume quatro vezes superior ao do ciclo anterior. Ainda assim, permanecem distantes dos 4,6 milhões registrados em 2022/23, o que limita uma leitura mais confortável do balanço.

Produção de café no Brasil sob leitura estratégica

Para o Itaú BBA, a produção de café no Brasil em recuperação tende a conter pressões altistas nos preços, mas o nível ainda restrito de estoques mantém o mercado exposto a variações climáticas. Nesse contexto, o banco destaca a importância de estratégias de proteção e gestão de riscos por parte dos agentes do setor, em um cenário de equilíbrio delicado entre oferta em recomposição e sensibilidade climática.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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