Selic em 2026 ganha perspectiva de corte após deflação do IGP-M e dólar mais fraco

A Selic em 2026 passou a ser debatida pelo mercado após IGP-M negativo e dólar em queda, com apostas divididas entre janeiro e março para o início dos cortes.
Gráfico econômico com indicadores de inflação, juros e câmbio no Brasil
Indicadores macroeconômicos, como inflação e câmbio, orientam as expectativas do mercado para a política monetária em 2026.

A Selic em 2026 passou a ter espaço concreto para corte após a divulgação de indicadores que reforçaram o alívio inflacionário ao fim de 2025. O IGP-M encerrou o ano com deflação acumulada de 1,05%, enquanto o dólar caminha para fechar o período com recuo superior a 10% frente ao real.

Esse conjunto de dados fortaleceu a leitura de que o Banco Central (BC) poderá iniciar a redução dos juros no primeiro trimestre do próximo ano. Ainda assim, o mercado financeiro segue dividido quanto ao momento exato do primeiro ajuste, concentrando as apostas entre as reuniões de janeiro e março do Comitê de Política Monetária (Copom).

Selic em 2026 divide o mercado entre janeiro e março

Para Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Way Investimentos, o cenário de inflação mudou de patamar ao longo do segundo semestre. Segundo ele, a valorização do real contribuiu para aliviar pressões sobre preços e ampliou a margem de atuação da política monetária, que segue em nível restritivo.

Apesar desse ambiente mais favorável, parte dos analistas defende cautela. Julio Netto, economista da JHN Consulting, avalia que a decisão do BC seguirá condicionada a fatores fiscais e institucionais. De acordo com ele, embora o corte seja esperado, o Comitê tende a calibrar o ritmo diante das incertezas ainda presentes.

As probabilidades extraídas dos contratos de opções de Copom negociados na B3 refletem essa divisão. Para janeiro, 66% das apostas indicam manutenção da taxa básica, enquanto 27% apontam redução de 0,25 ponto percentual. Já para março, o cenário se mostra mais disperso, com maior peso para cortes entre 0,25 p.p. e 0,50 p.p.

Condições macro que orientam a decisão do BC

A leitura dos índices de preços ajuda a explicar a postura prudente do mercado. O IGP-M de dezembro recuou 0,1%, contrariando a expectativa de alta, influenciado principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% da composição e reflete preços de commodities dolarizadas.

Segundo André Braz, coordenador de Índices de Preços do FGV Ibre, a queda nos preços industriais e agrícolas reduziu pressões no atacado e melhora o ambiente para decisões futuras do BC. No entanto, ele ressalta que a inflação que afeta diretamente o orçamento das famílias ainda exige atenção.

Os serviços, que representam cerca de 30% dos gastos das famílias, acumulam alta média de 6%, enquanto os preços monitorados, com peso de 25%, registram avanço de 5,5%, conforme o IPCA. Esses componentes seguem acima do intervalo de tolerância da meta e limitam decisões mais agressivas.

Trajetória dos juros no próximo ano

Nesse contexto, a Selic em 2026 tende a iniciar um ciclo de queda gradual. Esse processo depende da continuidade de um câmbio mais favorável e de oferta elevada de commodities. Para André Braz, dólar em patamar mais baixo e safras positivas reduzem a pressão sobre alimentos. Esse ambiente ajuda a sustentar uma inflação mais controlada ao longo do ano.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na cobertura editorial e analítica de economia e negócios, e colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

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