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Inspeção do TCU amplia pressão sobre Banco Central após liquidação do Banco Master

A inspeção do TCU no Banco Central apura falhas documentais e decisões administrativas que levaram à liquidação do Banco Master, com possibilidade de medida cautelar.
inspeção do TCU no Tribunal de Contas da União
Inspeção do TCU avança sobre procedimentos do Banco Central ligados à liquidação do Banco Master. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A inspeção do TCU (Tribunal de Contas da União) no Banco Central (BC) foi determinada em despacho publicado em (05/12), com foco nos procedimentos que culminaram na liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão partiu do ministro Jhonatan de Jesus e prevê análise direta dos processos internos da autoridade monetária.

Segundo o relator, as informações encaminhadas pelo Banco Central não vieram acompanhadas da documentação necessária para permitir a reconstrução completa do processo decisório. A nota técnica apresentada limitou-se à exposição de cronologia e fundamentos gerais, sem anexar pareceres, registros internos ou deliberações formais.

Nesse contexto, a inspeção do TCU verificará se o Banco Central observou princípios administrativos como motivação, proporcionalidade e coerência. A avaliação não incide sobre o mérito prudencial da liquidação, mas sobre a regularidade do caminho administrativo adotado.

Inspeção do TCU e o processo decisório do BC

O despacho esclarece que o Tribunal de Contas da União não pretende substituir o Banco Central no juízo regulatório. Conforme registrado, o controle externo incide sobre a forma como o Banco Central tomou e documentou as decisões. Essa distinção delimita o alcance da apuração e preserva a autonomia formal do regulador.

A auditoria abrangerá o período de 2019 a 2025 e examinará medidas de supervisão adotadas ao longo do tempo, além da existência de alertas prudenciais anteriores à crise. O TCU também analisará a tempestividade da resposta do Banco Central diante do agravamento da situação financeira da instituição.

Entre os pontos listados estão a avaliação de alternativas menos gravosas à liquidação, a análise de propostas privadas apresentadas antes da intervenção e eventuais tentativas de reorganização societária. A governança interna e possíveis divergências técnicas também entram no escopo.

Inspeção do TCU e o papel do FGC

Outro eixo da inspeção do TCU envolve a participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O tribunal pretende apurar como se deu o envolvimento do fundo e se sua atuação foi considerada de forma adequada no processo decisório do Banco Central.

O despacho ainda menciona reportagens sobre o crescimento acelerado do Banco Master a partir de 2019, sustentado por captação agressiva via CDBs. O TCU avaliará se a supervisão bancária monitorou de forma preventiva esse modelo de funding.

Além disso, os auditores deverão examinar registros formais de reunião, como a realizada em 17 de novembro de 2025, o processo administrativo aberto em 18 de novembro e a trilha documental de tratativas com potenciais compradores.

Leia também: FGC do Banco Master deve pagar R$ 41 bilhões, mas reembolso segue sem data

Fiscalização sobre atos do Banco Central

O ministro Jhonatan de Jesus destacou que atos praticados durante a liquidação podem produzir efeitos irreversíveis, como a alienação de ativos. Diante disso, não está descartada a adoção de providência cautelar contra o Banco Central, caso surjam elementos objetivos que indiquem risco ao valor da massa liquidanda.

A inspeção será conduzida por unidade técnica especializada do TCU, com acesso integral aos processos internos do BC. O Supremo Tribunal Federal (STF) será comunicado, já que há ação relacionada em tramitação. O avanço dessa apuração tende a redefinir os parâmetros de transparência e rastreabilidade exigidos do regulador em episódios de intervenção bancária.

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