Os mercados acionários globais iniciaram 2026 embalados pela euforia da inteligência artificial, mas a inflação da IA já surge como risco direto ao rali. Gestores e analistas alertam que o avanço acelerado dos investimentos em tecnologia pode reacender pressões inflacionárias e alterar o rumo de juros e ativos financeiros.
Esse cenário se apoia em três vetores. Primeiro, o forte estímulo econômico nos Estados Unidos, Europa e Japão. Segundo, a corrida bilionária das grandes empresas de tecnologia para ampliar data centers e infraestrutura de IA. Por fim, um mercado de trabalho ainda aquecido, que mantém os preços sob pressão. Com isso, bancos centrais podem interromper cortes de juros ou até voltar a elevá-los.
Inflação da IA no radar dos investidores
Nos EUA, sete gigantes de tecnologia responderam por metade da valorização do mercado em 2025. Ao mesmo tempo, a inflação segue acima da meta média de 2% do Federal Reserve. Analistas como Andrew Sheets, do Morgan Stanley, avaliam que os preços ao consumidor continuarão acima desse nível até o fim de 2027, impulsionados pelos gastos corporativos em IA.
Dados e sinais recentes reforçam o alerta:
- Investimentos em data centers de IA podem chegar a US$ 4 trilhões até 2030, segundo o Deutsche Bank
- Custos de chips avançados e energia seguem em alta
- Oracle e Broadcom já registraram quedas após alertas sobre margens e gastos
- HP prevê pressão sobre preços e lucros no segundo semestre de 2026
No mercado de renda fixa, gestores começam a reduzir exposição a títulos mais sensíveis à inflação, enquanto ampliam posições em Treasuries protegidos contra alta de preços.
Nesse contexto, a inflação da IA volta ao centro do debate. Se confirmada, ela tende a encarecer o crédito, reduzir lucros do setor tecnológico e limitar as avaliações das ações ligadas à inteligência artificial.











