As vagas de emprego nos EUA encerraram novembro em queda acima do previsto, reforçando sinais de ajuste na demanda por mão de obra. No final de 2025, o total recuou para 7,146 milhões, segundo o relatório JOLTS do Departamento do Trabalho, frustrando expectativas do mercado.
O dado mostra redução de 303 mil vagas em relação ao mês anterior. Além disso, o Bureau of Labor Statistics (BLS) revisou outubro para baixo, ajustando o estoque para 7,449 milhões, o que ampliou a leitura de desaceleração.
Vagas de emprego nos EUA e a perda de tração nas contratações
Paralelamente, as contratações diminuíram em 253 mil, somando 5,115 milhões. Esse comportamento contrasta com o crescimento econômico robusto do terceiro trimestre, sugerindo um descolamento entre atividade e emprego.
Economistas consultados pela Reuters avaliam que a cautela das empresas está ligada à incerteza política, sobretudo em torno de tarifas de importação. Segundo eles, esse ambiente tem levado companhias a adiar decisões de expansão de equipes.
Outro fator citado por analistas envolve a incorporação de inteligência artificial em funções específicas. De acordo com economistas de mercado, essa estratégia reduz a necessidade de novas admissões, alterando a dinâmica das ofertas de trabalho nos EUA.
Vagas de emprego nos EUA sob ruídos estatísticos e expectativas
Os números recentes também carregam distorções. A paralisação do governo federal por 43 dias afetou a coleta de dados, inclusive interrompendo, de forma inédita desde 1948, a divulgação da taxa de desemprego de outubro.
Mesmo assim, projeções seguem no radar. Pesquisa da Reuters indica expectativa de 60 mil novos postos em dezembro, após 64 mil em novembro. Já o relatório ADP apontou criação de 41 mil empregos no setor privado, abaixo do consenso da FactSet.
A taxa de desemprego de novembro atingiu 4,6%, maior nível em mais de quatro anos. Para dezembro, analistas projetam leve recuo para 4,5%, ainda dentro de um cenário de ajuste gradual.
Leitura estrutural do mercado de trabalho americano
Para economistas ouvidos pela Reuters, o quadro atual reflete desafios estruturais, e não um ciclo curto de fraqueza. Nesse contexto, os empregos abertos nos EUA tendem a reagir mais lentamente a estímulos tradicionais.
A trajetória das vagas de emprego nos EUA seguirá sensível às decisões de investimento das empresas, ao avanço tecnológico e ao ambiente político. Assim, o mercado entra em 2026 com crescimento contido, porém mais seletivo.











