O movimento de fusões e aquisições no agronegócio ganhou força em 2025 e confirmou a reorganização do setor. Entre janeiro e novembro, o Brasil registrou 60 operações de M&A, segundo levantamento da PwC Brasil. O número representa alta de 15% em relação ao mesmo período de 2024 e indica uma estratégia clara das empresas diante de um cenário econômico ainda incerto para 2026.
De acordo com a PwC, embora o avanço seja menor que o salto observado em outubro, quando o crescimento chegou a 40%, há um padrão consistente de expansão. Em um ambiente de volatilidade global, companhias do agro têm buscado escala, redução de custos e preservação de margens. Com o mercado de IPOs ainda restrito, as fusões e aquisições no agronegócio surgem como alternativa para reforçar a estabilidade financeira.
A maior parte das aquisições foi liderada por investidores nacionais. Eles responderam por 41 operações, o equivalente a 68% do total registrado em 2025. Compradores dos Estados Unidos aparecem na sequência, com três transações. O dado reforça o interesse doméstico por consolidação e ativos estratégicos no campo.
Fusões e aquisições no agronegócio avançam com foco em escala e eficiência
Entre os segmentos, a agropecuária foi o destaque. O número de operações saltou de três para 12 na comparação anual. O setor de frigoríficos e abatedouros também avançou, dobrando de três para seis negócios. Já a avicultura manteve estabilidade, com sete operações no acumulado do ano.
No recorte regional, o Sudeste concentrou 52,9% das transações realizadas até novembro. São Paulo liderou com folga, respondendo por 45% das operações e ampliando sua participação em três pontos percentuais em relação a outubro. O resultado reflete a concentração de grandes grupos, fundos e estruturas financeiras no estado.
A PwC projeta que, até o fechamento de 2025, o total de fusões e aquisições no agronegócio brasileiro cresça 40% frente a 2024. O patamar se aproxima do observado em 2021, período marcado por forte consolidação.
Consolidação do agro avança com destaque para Sudeste e São Paulo
Paralelamente ao avanço das operações corporativas, o desempenho externo do setor também chamou atenção. As exportações do agronegócio brasileiro atingiram recorde histórico em 2025. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, as vendas externas somaram US$ 169,2 bilhões, cerca de R$ 914,9 bilhões, alta de 3% em relação a 2024.
O ritmo acelerou no fim do ano. Em dezembro, as exportações alcançaram US$ 14 bilhões, o maior valor já registrado para o mês, com crescimento de 19,8% na comparação anual. A combinação entre oferta elevada e demanda externa resiliente sustentou os resultados e reforçou o papel do agro como principal gerador de divisas do país.
Esse cenário ajuda a explicar por que as fusões e aquisições no agronegócio seguem no radar de empresas e investidores. Com receitas externas fortes e margens pressionadas por custos e câmbio, a consolidação aparece como caminho para ganhar eficiência. Para quem atua no setor, o momento exige atenção. Crescer sozinho ou buscar uma parceria estratégica pode definir a competitividade nos próximos anos.











