As passagens aéreas no Brasil encerraram novembro de 2025 com preço médio real de R$ 607,85, valor 13% acima de janeiro de 2019, segundo dados divulgados na quinta-feira (08/01) pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Em janeiro de 2019, antes da pandemia, o valor médio das tarifas era de R$ 537,03, já corrigido pela inflação. Desde então, a série histórica mostra oscilações relevantes, com impacto direto de choques sanitários, custos operacionais e dinâmica de oferta no setor aéreo.
O período mais pressionado ocorreu em setembro de 2023, quando as passagens aéreas no Brasil atingiram o maior valor médio da série iniciada em 2019: R$ 823,60. Esse patamar refletiu uma combinação de demanda reprimida, gargalos operacionais e elevação do querosene de aviação (QAV).
Passagens aéreas no Brasil e a reversão após o pico
Após o pico de 2023, os preços passaram por um processo de ajuste. Na comparação entre novembro de 2024 e novembro de 2025, o valor médio das tarifas caiu 20%, recuando de R$ 758,87 para R$ 607,85, conforme os dados da Anac.
Essa redução anual alterou a leitura de curto prazo do mercado. Embora o patamar atual ainda esteja acima do nível pré-pandemia, ele representa uma inflexão relevante frente ao período de maior pressão inflacionária no transporte aéreo.
No acumulado de 2025, de janeiro a novembro, o preço médio das passagens aéreas no Brasil apresentou queda de 3%, passando de R$ 658,94 em 2024 para R$ 639,22 em 2025, indicando acomodação gradual dos custos.
Passagens aéreas no Brasil sob efeito dos custos operacionais
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, um dos fatores associados à queda recente foi a redução no preço do QAV. O combustível teve recuo de 4% na comparação entre novembro de 2024 e novembro de 2025.
O QAV é um dos principais componentes da estrutura de custos das companhias aéreas, ao lado de câmbio, manutenção de frota, leasing de aeronaves e taxas aeroportuárias. Alterações nesse item tendem a se refletir, com defasagem, na formação das tarifas.
Além do combustível, a maior oferta de assentos, a normalização da malha aérea e ajustes de capacidade reduziram a pressão sobre os preços ao consumidor.
Tarifas aéreas no país e os limites da normalização
Apesar da queda recente, os dados mostram que as passagens aéreas no Brasil ainda operam acima do patamar real observado antes de 2020. A distância em relação ao nível de janeiro de 2019 indica que parte dos custos estruturais incorporados após a pandemia permanece no sistema.
O comportamento da série sugere que o mercado entrou em uma fase de ajuste, mas sem sinais de retorno automático aos preços pré-pandemia. A trajetória futura dependerá da evolução do preço do combustível, do ambiente macroeconômico e da demanda por viagens domésticas.
Nesse contexto, o fechamento de 2025 indica duas leituras: alívio no curto prazo para o consumidor e manutenção de um novo patamar real das passagens aéreas no país. A metodologia da Anac considera apenas bilhetes vendidos, evitando distorções de preços anunciados e oferecendo uma leitura mais fiel do comportamento das tarifas.











