Novamente as ações da Oi deixaram de ser negociadas na B3, conforme anunciado nesta segunda-feira (12/01). A nova interrupção ocorre menos de dois meses após um episódio semelhante e reforça um padrão incomum no mercado brasileiro: a retirada recorrente do mesmo papel do pregão regular em curto intervalo.
De acordo com a B3, os papéis passaram a operar em regime de negociação não contínua, com realização de leilões ao longo do pregão e eventual fechamento apenas ao fim da sessão. Além disso, a bolsa informou que pode reverter o formato caso o preço das ações volte a se enquadrar nas regras exigidas.
Ações da Oi entram em leilão após falhar no preço mínimo
A B3 tomou a decisão porque a companhia não conseguiu ajustar o valor de suas ações ao piso mínimo de R$ 1 por papel exigido pelo Regulamento de Emissores. O prazo para cumprimento da exigência terminou em 19 de novembro.
Na sexta-feira anterior (09/01), as ações preferenciais OIBR4 encerraram cotadas a R$ 1,84. Já os papéis ordinários OIBR3 fecharam a R$ 0,19, nível associado a penny stocks (ações com baixo valor de mercado caracterizadas por alto risco, baixa liquidez e alta volatilidade). Segundo o balanço do segundo trimestre de 2025, a Oi mantinha 330 milhões de ações em circulação, com 203,3 milhões em free float.
Ações da Oi já haviam saído do pregão em novembro
O novo afastamento da bolsa não é inédito. Em novembro de 2025, a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro decretou a falência da operadora, o que levou as ações da Oi a deixarem de ser negociadas durante o segundo processo de recuperação judicial da companhia.
Na ocasião, a magistrada responsável apontou a inexistência de viabilidade econômico-financeira e a impossibilidade de equacionar ativos e passivos. O que, portanto, levou à suspensão imediata dos papéis no mercado. A interrupção durou quatro sessões.
Recorrência na B3 indica desgaste da listagem
Poucos dias depois, uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) suspendeu os efeitos da falência. Permitindo, então, o retorno da companhia à recuperação judicial e a retomada das negociações das ações. O retorno, no entanto, ocorreu sob forte volatilidade e sem reversão estrutural do quadro financeiro.
Desde então, as ações da Oi passaram a conviver com um ambiente de instabilidade contínua. Situação ampliada em dezembro pela antecipação parcial dos efeitos da falência da Serede, subsidiária do grupo responsável por serviços de rede e infraestrutura.
Saiba mais sobre a decisão do TJ-RJ que suspendei a falência da Oi
Histórico recente limita previsibilidade do papel na bolsa
Para o mercado, a repetição de suspensões e reenquadramentos em tão curto intervalo não é comum. E, além disso, funciona como um indicativo de esgotamento do papel como ativo listado regular.
Mais do que um evento pontual, a nova saída da B3 reforça a leitura de que a permanência das ações da Oi no pregão depende menos de decisões operacionais e mais de desdobramentos judiciais. Além, é claro, de desdobramentos regulatórios ainda em aberto.











