As exportações do Brasil para China somaram aproximadamente R$ 559 bilhões em 2025, conforme dados divulgados na terça-feira (13/01), embarcados ao país asiático. O valor representa o segundo maior patamar da série histórica iniciada em 1997 e reforça a centralidade do mercado chinês na balança comercial brasileira.
Esse desempenho elevou a corrente de comércio bilateral para cerca de R$ 956 bilhões, resultado da combinação entre exportações robustas e importações crescentes. Com isso, a China passou a concentrar 27,2% de todo o comércio exterior brasileiro, proporção sem paralelo entre os demais parceiros comerciais do país.
Exportações do Brasil para China e o peso das commodities
A estrutura das exportações do Brasil para China segue fortemente apoiada em commodities agrícolas e minerais. A soja respondeu por pouco mais de um terço da receita total, com avanço de 10% sobre o ano anterior. Na sequência aparecem minério de ferro, petróleo bruto, celulose, milho e proteínas animais, itens diretamente ligados ao agronegócio e à indústria extrativa.
Esse perfil explica a capacidade de crescimento mesmo em um ambiente internacional adverso. A demanda chinesa por alimentos e insumos básicos manteve fluxo estável, enquanto outros mercados reduziram compras. Em termos de valor, as vendas brasileiras para a China superaram, com folga, o desempenho observado em parceiros tradicionais.
Exportações do Brasil para China diante do recuo dos EUA
O avanço do mercado chinês ocorreu em paralelo à retração das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Em 2025, os embarques ao mercado americano recuaram para cerca de R$ 211 bilhões, queda relevante frente ao ano anterior. Parte desse resultado está associada às tarifas ainda incidentes sobre aproximadamente R$ 50 bilhões da pauta brasileira.
O ambiente comercial com os EUA impôs dificuldades adicionais ao Brasil. Para ele, embora tenha havido redirecionamento pontual de produtos como o café, que ganhou espaço na China, as diferenças entre as pautas limitam substituições mais amplas.
Eixo asiático e diversificação além da China
Apesar da dominância chinesa, o Brasil ampliou exportações para outros destinos asiáticos e regionais. Argentina e Índia registraram crescimentos superiores a 30% em 2025, sinalizando uma estratégia de diluição de riscos. Ainda assim, os embarques do Brasil para a China seguem como principal fonte de receitas externas.
A avaliação corrente no mercado é que o avanço da classe média asiática, especialmente no Sudeste Asiático, tende a sustentar a demanda por alimentos nos próximos anos. Nesse cenário, as exportações do Brasil para China permanecem como eixo estruturante do comércio exterior, influenciando decisões logísticas, produtivas e diplomáticas do país.











