A inflação ao consumidor nos EUA avançou 0,3% em dezembro, em linha com as projeções do mercado, após um mês marcado por distorções estatísticas. O dado reforça a leitura de estabilidade do cenário macroeconômico e sustenta a expectativa de manutenção dos juros pelo banco central americano.
Na comparação anual, a inflação acumulada ficou em 2,7%, repetindo o resultado de novembro. Além disso, o número confirma a avaliação de economistas de que a leitura anterior havia sido artificialmente contida por fatores técnicos ligados à paralisação do governo federal.
Inflação ao consumidor nos EUA e a normalização dos dados
A retomada da inflação ao consumidor nos EUA reflete, antes de tudo, a normalização da coleta de preços. Em outubro, a paralisação do governo por 43 dias impediu o levantamento completo, levando o Bureau of Labor Statistics (BLS) a adotar o método de carry-forward, sobretudo em aluguéis.
Além disso, embora os preços de novembro tenham sido coletados, o processo ocorreu majoritariamente na segunda metade do mês. Nesse período, o varejo intensificou descontos sazonais, o que reduziu temporariamente a pressão inflacionária. Com a eliminação desses efeitos, dezembro passou a oferecer uma base estatística mais consistente.
Inflação ao consumidor nos EUA e a leitura do núcleo
Outro ponto relevante foi o comportamento do núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia. O indicador subiu 0,2% no mês e 2,6% em 12 meses, mantendo o mesmo patamar observado anteriormente.
Esse desempenho do núcleo do CPI indica que a inflação subjacente segue sob controle, apesar da rigidez em componentes como habitação. Para analistas, a combinação de inflação cheia e núcleo alinhados reduz a necessidade de ajustes imediatos na política monetária.
CPI americano e o impacto sobre os juros
A leitura do CPI americano ganhou ainda mais peso ao ser divulgada após dados do mercado de trabalho. Em dezembro, a taxa de desemprego recuou, mesmo com crescimento do emprego moderado, reforçando a percepção de uma economia ainda aquecida.
Nesse contexto, a inflação ao consumidor nos EUA converge para o cenário-base do mercado: o Federal Reserve tende a manter a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% na reunião de janeiro. Economistas consultados pela Reuters avaliam que, sem surpresa inflacionária, o Fed pode prolongar a estratégia de espera.
Ao olhar adiante, a inflação ao consumidor nos EUA seguirá condicionada à dinâmica dos serviços e ao comportamento dos salários, mantendo o banco central atento aos próximos dados antes de qualquer ajuste relevante.











