O setor mineral do Ceará alcançou em 2025 um patamar inédito no comércio exterior estadual ao somar US$ 156,4 milhões em exportações, impulsionadas principalmente por quartzito, rochas ornamentais, magnésia calcinada, mica aglomerada e ferro-silício, quase o dobro do valor registrado no ano anterior. O resultado elevou a participação do segmento para 6,8% da pauta exportadora, posicionando-o como o terceiro maior setor nas vendas externas do estado, segundo dados oficiais do Comex Stat.
Esse desempenho alterou a leitura sobre a balança comercial, já que as importações minerais permaneceram restritas a US$ 5,1 milhões em 2025. Como consequência, o saldo do setor atingiu US$ 151,3 milhões. Os dados fazem parte do relatório Setorial em Comex – Setor Mineral, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), com base nas estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
Setor mineral do Ceará e o avanço do quartzito
O principal vetor do crescimento foi o quartzito, que respondeu por cerca de metade da receita exportada pelo setor. De acordo com o levantamento do CIN/Fiec, em 2025 o Ceará tornou-se o maior exportador nacional do produto, com faturamento de US$ 77,5 milhões. O material ganhou espaço em projetos ligados à arquitetura, design e construção, sobretudo em mercados que demandam alto valor agregado.
Para Carlos Rubens Alencar, presidente do Sindicato da Indústria de Mármores e Granitos do Estado do Ceará (Simagran), a aceitação internacional está ligada à qualidade, durabilidade e ao padrão estético do quartzito cearense. Segundo ele, esses atributos sustentam a presença do produto em aplicações voltadas ao mercado de luxo, onde acabamento e desempenho técnico são critérios determinantes.
Setor mineral do Ceará amplia mercados e reduz concentração
Além do quartzito, o relatório do CIN/Fiec aponta que a pauta exportadora ficou mais diversificada em 2025. Outras rochas ornamentais, como pedras de cantaria, alcançaram US$ 22,3 milhões em vendas externas, enquanto a magnésia calcinada somou US$ 18,7 milhões. Produtos como mica aglomerada e ferro-silício também mantiveram trajetória positiva.
Na avaliação de Karina Frota, gerente do Centro Internacional de Negócios da Fiec, os resultados confirmam o fortalecimento da base exportadora do setor mineral cearense. Segundo ela, a combinação entre maior valor agregado, diversificação da pauta e ampliação dos mercados de destino elevou a competitividade do Ceará no comércio internacional.
Cadeia mineral cearense e reposicionamento externo
Ainda conforme o estudo do CIN/Fiec, os minerais cearenses chegaram a 78 destinos em 2025. A Itália manteve-se como principal mercado, com compras de US$ 56 milhões, seguida pelos Estados Unidos, que alcançaram US$ 31,3 milhões, e pela China, que apresentou o avanço mais acelerado nas importações de produtos minerais do Ceará.
O conjunto desses dados, consolidados pela Fiec com base nas estatísticas oficiais da Secex/MDIC, indica que o setor mineral do Ceará ampliou sua relevância na pauta exportadora estadual, apoiado por diversificação produtiva e maior presença internacional.











