As vendas no varejo dos EUA avançaram além do esperado em novembro e enviaram um recado claro aos mercados: o consumo segue sustentando a maior economia do mundo. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (14/01) pelo Census Bureau, órgão ligado ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos, as vendas cresceram 0,6% no mês, após queda revisada de 0,1% em outubro. Portanto, superando a projeção de 0,4% de economistas especializados.
O desempenho das vendas do varejo ocorreu sobretudo, pela retomada nas compras de veículos e pelo aumento dos gastos das famílias em outros segmentos nos EUA. Além disso, o dado reforça a leitura de crescimento sólido no 4T25. Isso porque o varejo funciona como termômetro direto do consumo das famílias, principal motor da economia americana.
Vendas no varejo dos EUA e o impacto no consumo
A análise das vendas no varejo dos EUA, porém, revelam um quadro desigual. Enquanto famílias de renda mais alta continuam ampliando gastos, consumidores de menor renda enfrentam pressão do custo de vida. Na véspera da divulgação, o governo informou que os preços dos alimentos registraram o maior avanço em mais de três anos em dezembro. Cenário visto mesmo com inflação geral mais controlada.
O Census Bureau também destacou que as vendas no varejo, em sua maioria compostas por bens e não ajustadas pela inflação, refletem mudanças diretas no poder de compra nos EUA. Contudo, vale lembrar que o órgão ainda normaliza o calendário de divulgações após a paralisação de 43 dias do governo federal.
Números resumidos que ajudam a entender a alta das vendas no varejo dos EUA:
- Vendas totais no varejo: +0,6% em novembro
- Expectativa do mercado: +0,4%
- Outubro: queda revisada de 0,1%
- Vendas excluindo automóveis, gasolina, materiais de construção e alimentação: +0,4%
- Crescimento anualizado do PIB no 3º trimestre: 4,3%
Esse núcleo do varejo se aproxima do componente de consumo do Produto Interno Bruto e mostra continuidade do ritmo observado no terceiro trimestre.
No campo político, propostas do presidente Donald Trump para reduzir o custo de vida, como a compra de US$ 200 bilhões em títulos hipotecários e limite temporário para juros de cartões, ampliaram o debate sobre crédito e inflação. Além disso, bancos alertaram para possíveis restrições no acesso ao financiamento.
Nesse cenário, os dados do Census Bureau explicam que as vendas no varejo dos EUA seguem como peça-chave para calibrar expectativas sobre crescimento, inflação e próximos passos da política econômica.











