A disputa judicial da Amazon contra a Saks entrou no radar corporativo nesta semana após decisão judicial nos Estados Unidos liberar o saque de US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,15 bilhões) à rede varejista de luxo, contrariando a posição da Amazon, empresa fundada por Jeff Bezos, que tenta barrar o financiamento no âmbito do Chapter 11. O aval manteve ativa a operação da Saks Global Enterprises, enquanto o embate entre credores ganhou novo fôlego no processo de recuperação judicial da Saks.
O juiz de falências Alfredo Perez, em Houston, conduziu a audiência na última quarta-feira (14/01).
Amazon contra Saks no financiamento emergencial
A liberação imediata de caixa permite à Saks acessar o valor bloqueado, mas a empresa ainda precisará retornar ao tribunal para buscar a aprovação definitiva do pacote completo, de US$ 1,75 bilhão. Segundo assessores da varejista, a ausência do dinheiro colocaria a companhia em risco de liquidação, argumento central para a urgência do crédito.
Do outro lado, a Amazon sustenta que o novo pacote empurra bilhões em novas obrigações à Saks e altera a hierarquia de credores. Em petição, a companhia afirma que as condições do financiamento prejudicam credores sem garantia, incluindo a própria Amazon, que também atua como parceira comercial da varejista.
Conflito entre credores e perda de valor do aporte
No pano de fundo do caso da Amazon contra a Saks está a aquisição da Neiman Marcus pela Saks. A operação foi anunciada em julho de 2024 e concluída em dezembro do mesmo ano, com valor de US$ 2,65 bilhões. A transação deu origem à holding Saks Global e contou com um investimento de US$ 475 milhões da Amazon.
Pressionada pelo alto endividamento gerado pela fusão e pela mudança no consumo de bens de luxo em meio à inflação, a Saks Global havia entrado com pedido de proteção sob o Chapter 11. A Amazon reagiu formalmente, contestando o plano de financiamento da recuperação judicial por temer perda adicional de prioridade entre os credores.
Esse investimento estava atrelado ao acordo “Saks on Amazon”, que previa a venda de produtos na plataforma e o pagamento de taxa de indicação. O contrato também estabelecia uma garantia mínima de US$ 900 milhões em pagamentos ao longo de oito anos. A Amazon alega descumprimento contratual. Já a Saks afirma que a prioridade, no momento, é preservar a continuidade operacional durante a reestruturação.
Amazon contra Saks e os próximos passos
Nos próximos passos, a disputa da Amazon contra Saks seguirá no centro das discussões do tribunal. Credores ainda podem contestar o acordo de dívida ou buscar ajustes nos termos. A aprovação final do financiamento definirá o equilíbrio entre liquidez imediata e proteção aos credores existentes.
No horizonte analítico, Amazon contra a Saks Fifth Avenue no processo expõe os riscos de estruturas híbridas que combinam equity e parceria comercial em ambientes de alta alavancagem. A decisão final poderá redefinir precedentes para financiamentos emergenciais no varejo de luxo e para a governança entre investidores estratégicos e credores.
A Saks tenta evitar mais dificuldades diante do horizonte da economia americana.











