Na produção de carros no Brasil, o avanço registrado na última quinta-feira (15/01) frustrou parte das expectativas da indústria. O setor fechou 2025 com crescimento de 3,5%, totalizando 2,64 milhões de veículos, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), número inferior à projeção inicial das montadoras.
O dado confirma uma retomada mais contida da indústria automotiva brasileira, pressionada por juros elevados, menor tração do mercado interno e avanço dos veículos importados. Embora o volume produzido tenha sido o maior em seis anos, o nível segue distante do patamar pré-pandemia.
O descompasso com a demanda e produção de veículos
A Anfavea projetava alta de 7,8% na produção em 2025. No entanto, as vendas de veículos cresceram apenas 2,1%, somando 2,69 milhões de unidades, ritmo abaixo do esperado pelas montadoras. Segundo a entidade, o custo do crédito limitou a decisão de compra das famílias ao longo do ano.
Além disso, a maior presença de carros importados alterou a dinâmica do setor. A participação desses modelos atingiu 18,5% do mercado, acima dos 17,7% registrados em 2024. Esse avanço ampliou a concorrência sobre a produção local, mesmo com capacidade instalada disponível.
Ainda assim, a produção evitou desempenho mais fraco graças a fatores pontuais. As vendas para locadoras e os descontos no IPI de modelos de entrada, dentro do programa Carro Sustentável, ajudaram a sustentar o volume industrial, de acordo com a avaliação da Anfavea.
Indústria automotiva nacional entre exportações e importações
O principal vetor de sustentação da atividade veio do mercado externo. As exportações de veículos cresceram 32,1% em 2025, alcançando 528,8 mil unidades, com destaque para a recuperação da demanda da Argentina. Esse fluxo externo compensou parte da fraqueza do consumo doméstico.
Mesmo assim, o setor não retomou o nível de 2019, quando quase 3 milhões de veículos foram produzidos no País. A combinação entre concorrência internacional, custo financeiro elevado e ajustes no ritmo das montadoras manteve a produção em trajetória moderada.
No recorte mensal, dezembro mostrou sinais de desalinhamento. A produção caiu 3,9% na comparação anual e 15,8% frente a novembro, enquanto as vendas atingiram 279,4 mil unidades, maior volume mensal em onze anos.
Produção de carros no Brasil sob pressão estrutural
A dinâmica do emprego reflete esse cenário. Em dezembro, 1,2 mil vagas foram encerradas nas montadoras, reduzindo o saldo anual para 2,5 mil postos criados. Atualmente, o setor emprega 109,7 mil trabalhadores, segundo a Anfavea.
Nesse contexto, a produção de carros no Brasil segue apoiada em exportações e estímulos pontuais, mas enfrenta limites claros para acelerar. O equilíbrio entre produção industrial, competitividade externa e condições de financiamento tende a definir o ritmo do setor ao longo de 2026.
Com importações em alta e consumo ainda sensível ao crédito, a indústria entra no próximo ciclo exigindo ajustes finos. A leitura do mercado é que ganhos de escala dependerão menos de volume interno e mais da capacidade de reposicionamento das montadoras.











