A dívida da Posco no Ceará entrou no radar do mercado após a falência da Posco Engenharia e Construção do Brasil, decretada no fim de 2025. O passivo declarado soma R$ 644,3 milhões, mas credores apontam que o valor pode crescer à medida que novos créditos sejam reconhecidos no processo em curso na Justiça cearense.
O caso envolve obras da antiga Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e afeta diretamente empresas que prestaram serviços entre 2013 e 2015. Segundo os autos, a maior parte das obrigações permanece sem lastro patrimonial suficiente, o que amplia a incerteza sobre a recuperação dos valores devidos.
Dívida da Posco e a composição do passivo
A estrutura do passivo chama atenção pela concentração em créditos trabalhistas, que alcançam R$ 573,5 milhões. Além disso, aparecem débitos tributários, valores de fornecedores locais e créditos subordinados, formando um quadro de elevada complexidade jurídica.
Credores afirmam que parte relevante das obrigações ainda não consta na relação oficial. Há discussões envolvendo passivo tributário oculto, contratos em arbitragem sigilosa e ações em segredo de Justiça, fatores que dificultam a mensuração exata da dívida total.
Impacto econômico e disputas judiciais
O efeito da dívida da Posco no Ceará se reflete no caixa de pequenas e médias empresas do estado. Para esses negócios, a interrupção dos pagamentos comprometeu o planejamento financeiro e ampliou a dependência do desfecho judicial.
Diante desse cenário, os credores avaliam pedidos de desconsideração da personalidade jurídica para atingir bens das controladoras sul-coreanas. Em decisão liminar de outubro de 2025, a Justiça já estendeu a responsabilidade à Posco Engineering & Construction e à Posco Holdings Inc., descrevendo a subsidiária como uma empresa criada para executar um único empreendimento.
Dívida da Posco no Ceará e os próximos passos
A defesa da companhia nega irregularidades e atribui a falência a fatores econômicos, como a recessão entre 2014 e 2016, a crise da siderurgia e os efeitos da pandemia. Já a ArcelorMittal Pecém, atual controladora da siderúrgica, afirma não ter vínculo contratual com os credores.
Nos próximos meses, o avanço das habilitações de crédito e das ações paralelas deve redefinir o tamanho final da dívida da Posco no Ceará. O caso tende a servir como referência para a avaliação de riscos em contratos de infraestrutura pesada envolvendo subsidiárias de grupos multinacionais.











