A inadimplência no agronegócio alcançou 8,3% da população rural no terceiro trimestre de 2025, o que representa um avanço de 0,9 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Serasa Experian divulgados nesta segunda-feira (19/01). O resultado dá sequência a uma trajetória de alta do endividamento ao longo de 2025, em um ambiente de crédito mais restritivo para o setor.
No comparativo com o segundo trimestre de 2025, a taxa de inadimplência no agronegócio havia ficado em 8,1%, após 7,9% no início do ano. Portanto, a leitura do 3T25 indica que o aumento ocorreu de forma gradual, mas contínua.
Embora a taxa geral permaneça abaixo da observada em segmentos urbanos, o recorte por idade altera o diagnóstico. Produtores entre 30 e 39 anos concentraram a maior incidência de atrasos, com 12,7%, enquanto a população acima de 80 anos apresentou o menor nível de inadimplência. O contraste sugere diferenças estruturais no acesso ao crédito, no histórico financeiro e no perfil das dívidas assumidas.
Inadimplência no agronegócio e o peso das dívidas financeiras
A composição do endividamento ajuda a explicar o avanço da inadimplência no agronegócio, sobretudo quando se observa a origem das obrigações em atraso.
- Dívidas com instituições financeiras responderam por 7,3% da inadimplência rural no 3T25.
- Débitos diretamente ligados a credores do próprio setor agro ficaram em apenas 0,3%, patamar próximo de zero.
- A dívida média dos inadimplentes junto a bancos atingiu R$ 100,5 mil.
- No recorte exclusivo do agro, o valor médio subiu para R$ 130,3 mil, bem acima de setores conexos como transporte e armazenagem.
Segundo o Serasa Experian, o cenário de inadimplência no agronegócio se manteve praticamente estável em relação ao segundo trimestre, indicando que o risco segue concentrado no crédito bancário, enquanto as relações comerciais dentro da cadeia produtiva apresentam maior controle.
Resultados por região e disparidades estaduais
O recorte geográfico revela um quadro desigual da inadimplência no agronegócio, com diferenças relevantes entre regiões.
- Sul: 5,5%, menor taxa nacional.
- Sudeste: 7,0%.
- Centro-Oeste: 9,4%.
- Nordeste: 9,7%.
- Norte: 12,4%, maior nível regional.
Na análise por Unidade Federativa, o Rio Grande do Sul registrou 5,1%, seguido por Paraná e Santa Catarina. No extremo oposto, o Amapá alcançou 19,8%, evidenciando limitações estruturais no acesso a crédito, seguro e instrumentos de mitigação de risco.
Inadimplência no agronegócio: Sul se destaca
O desempenho do Rio Grande do Sul chama atenção diante das perdas recentes provocadas por eventos climáticos. Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio do Serasa Experian, a forte presença de cooperativas, sistemas produtivos integrados e o uso mais disseminado do seguro agrícola ajudam a explicar o resultado, além da atuação de linhas de financiamento voltadas ao alongamento e à renegociação de dívidas.
Ao integrar risco climático, estrutura produtiva e crédito, a inadimplência no agronegócio revela um desafio concentrado nos produtores mais jovens, ao mesmo tempo em que reforça a importância do desenho financeiro e institucional para sustentar a atividade rural em um ciclo de maior cautela no crédito.











