A inflação de serviços no Brasil entra em 2026 sob pressão contínua, mesmo com a expectativa de desaceleração gradual do IPCA. Na avaliação do economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), o comportamento do setor segue atrelado ao mercado de trabalho aquecido e à renda das famílias, fatores que sustentam a demanda ao longo do ano.
Embora outros grupos de preços tendam a arrefecer, Dias afirma que os serviços não devem oferecer alívio relevante para a inflação cheia. Segundo ele, a convergência do IPCA à meta ocorre de forma mais lenta quando a atividade econômica mantém tração, o que reduz o espaço para cortes mais acelerados na taxa Selic.
Inflação no Brasil e o papel do emprego
A taxa de desemprego em 5,2%, a menor desde 2012, ajuda a explicar a dinâmica atual da inflação de serviços no Brasil. Com mais pessoas empregadas, o consumo se desloca para itens ligados ao cotidiano urbano, como alimentação fora do domicílio, serviços pessoais, turismo e transporte urbano.
De acordo com Dias, a elevação da renda também altera o padrão de consumo. Restaurantes, lazer e cuidados pessoais passam a ocupar maior fatia do orçamento, mesmo quando os preços avançam acima da média. Em 2025, serviços como manicure, cabeleireiro e empregados domésticos acumularam altas bem acima do IPCA geral.
Demanda aquecida e juros ainda elevados
Mesmo com a Selic em patamar elevado, o efeito do juro alto se concentrou mais nos bens duráveis. Como observa o economista do FGV-Ibre, muitas famílias adiaram a compra de imóveis e veículos, permanecendo no mercado de aluguel residencial e ampliando gastos com consertos e manutenção.
Além disso, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda em 2026 deve adicionar fôlego à demanda. A estimativa é que cerca de 14 milhões de pessoas tenham aumento de renda disponível, o que tende a reforçar a procura por serviços presenciais. Para Dias, esse estímulo atua como um vetor adicional de pressão de preços.
Inflação de serviços no Brasil e os limites do IPCA
A trajetória projetada indica que a inflação de serviços no Brasil seguirá acima do IPCA em 2026, mesmo com a ajuda de bens industriais mais baratos, influenciados por importações, sobretudo da China. A FGV-Ibre projeta inflação geral de 3,9% no fim do ano, mas com serviços ainda entre 5,5% e 6%.
Esse descompasso afeta diretamente a política monetária. Os serviços não contribuem para acelerar a convergência inflacionária, o que mantém cautela no Banco Central. Assim, a expectativa é de cortes graduais da Selic, encerrando 2026 entre 12,5% e 13%, enquanto a inflação de serviços no Brasil permanece como um dos principais desafios do cenário macroeconômico.











