O custo do material escolar voltou a crescer acima da inflação oficial no início de 2026. O avanço reforçou a pressão sobre o orçamento das famílias já nas primeiras semanas do ano. Segundo levantamento da Rico, a cesta de volta às aulas subiu 5,32%. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2025 com alta de 4,26%.
O impacto aparece com mais força em janeiro. Ainda assim, o estudo mostra que a diferença entre inflação geral e despesas educacionais se acumula ao longo do tempo. Em cinco anos, os gastos ligados à educação avançaram 39,34%. No mesmo intervalo, o IPCA subiu 33,13%. Esse descompasso amplia a perda de poder de compra entre famílias com filhos em idade escolar.
Pressão do material no orçamento familiar
Para medir essa dinâmica, a Rico montou uma cesta hipotética. O conjunto reúne uniforme escolar, mensalidades, livros didáticos e não didáticos, além de itens de papelaria. Mesmo quando alguns componentes sobem menos em determinado ano, o efeito combinado mantém o custo do material escolar acima do índice geral.
Na prática, um conjunto de despesas que custava R$ 1.000 em 2021 hoje se aproxima de R$ 1.393. O cálculo considera apenas a inflação específica da cesta escolar. Pelo IPCA, esse valor seria de cerca de R$ 1.331. A diferença mostra como a inflação setorial corrói o orçamento de forma mais intensa.
Itens comprados de forma concentrada ajudam a explicar esse peso inicial. É o caso de papelaria e livros. Em 2025, a inflação da papelaria ficou em 2,39%. No horizonte de cinco anos, porém, o avanço acumulado chega a 39,64%. Já os livros não didáticos acumulam alta de 51,96% desde 2021, segundo o levantamento.
Mensalidades ampliam o custo educacional ao longo do ano
Se o custo do material escolar pesa no início do calendário letivo, as mensalidades sustentam a pressão ao longo dos meses seguintes. Em 2025, o grupo Educação registrou alta de 6,22%. O resultado reflete despesas mais rígidas das escolas, como salários, infraestrutura, tecnologia e serviços de apoio.
Desde 2021, as mensalidades do ensino fundamental acumulam alta de 49,35%. No ensino médio, o avanço chega a 47,52%. Com isso, uma mensalidade de R$ 1.000 no início da década hoje se aproxima de R$ 1.500, apenas considerando os reajustes acumulados.
Outras despesas recorrentes também reforçam o aperto no orçamento. O lanche escolar subiu 11,35% em 2025, acompanhando a inflação da alimentação fora do domicílio. Já os uniformes acumulam quase 40% de alta em cinco anos, influenciados pelo aumento dos custos industriais e dos tecidos.
Custo do material escolar e a busca por alternativas
Além da escola, outras contas costumam coincidir com a volta às aulas. IPTU, IPVA e taxas de licenciamento entram no calendário ao mesmo tempo. Isso amplia a sensação de concentração de despesas. Em São Paulo, a base de cálculo do IPTU foi atualizada em 4,6% em 2025, somando pressão ao início do ano.
Diante desse cenário, o Procon-SP reforça a importância da pesquisa de preços. O órgão identificou variações de até 276,92% para o mesmo produto em estabelecimentos diferentes. O planejamento antecipado e o reaproveitamento de materiais ajudam a diluir o custo do material escolar ao longo do ano.
No ambiente atual, a inflação da educação segue descolada do índice geral. Esse quadro exige mais estratégia financeira das famílias. As despesas fixas e concentradas continuam pressionando o orçamento doméstico.










