A confiança do consumidor nos EUA subiu para 56,4 pontos em janeiro, segundo o dado final da Universidade de Michigan divulgado na sexta-feira (23/01). O índice avançou frente aos 52,9 pontos de dezembro e ficou acima tanto da leitura preliminar quanto da mediana das projeções de analistas ouvidos pela FactSet, ambas em 54.
O resultado indica melhora no humor das famílias americanas no início do ano, em um ambiente ainda marcado por juros elevados e inflação acima da meta do Federal Reserve (Fed). Além disso, a revisão positiva reforça que parte dos consumidores percebeu condições econômicas ligeiramente melhores do que o captado na estimativa inicial do mês.
Inflação no curto prazo nos EUA
Um dos destaques da pesquisa foi o recuo das expectativas de inflação em 12 meses. Em janeiro, a taxa projetada caiu para 4,0%, ante 4,2% em dezembro, além de ficar abaixo da leitura preliminar do próprio mês, que apontava 4,2%. O ajuste sugere menor pressão percebida sobre preços no horizonte mais imediato.
Essa leitura ganha relevância porque a inflação esperada influencia decisões de consumo e poupança. Quando as famílias antecipam desaceleração dos preços, tende a haver menor urgência em antecipar compras, o que pode moderar a demanda ao longo dos próximos trimestres, segundo avaliações recorrentes de economistas de mercado.
Ainda assim, o patamar segue acima do objetivo de 2% perseguido pelo Fed. Por isso, os dados reforçam um cenário de alívio parcial, sem indicar mudança estrutural na dinâmica inflacionária de curto prazo.
Expectativas de longo prazo e atividade econômica
No horizonte de cinco anos, a expectativa de inflação mostrou leve avanço, passando de 3,2% para 3,3% entre dezembro e janeiro. Apesar da alta, o número ficou abaixo da leitura preliminar de 3,4%, sinalizando percepção mais contida sobre pressões persistentes no médio prazo.
Paralelamente, indicadores de atividade sugerem estabilidade. O PMI Composto preliminar dos EUA, divulgado pela S&P Global, subiu para 52,8 em janeiro, mantendo-se acima da linha de 50 pontos que separa expansão de contração. O dado reflete pouca variação conjunta entre indústria e serviços.
Esse conjunto de informações ajuda a contextualizar a confiança do consumidor nos EUA em um ambiente de crescimento moderado, inflação ainda desconfortável e política monetária restritiva, sem sinais claros de deterioração abrupta da economia.
Confiança do consumidor nos EUA e leitura do mercado
Para o mercado financeiro, a combinação de melhora na confiança, inflação esperada menor no curto prazo e atividade estável reforça um cenário de cautela. Analistas evitam antecipar mudanças na trajetória dos juros, mas reconhecem que a evolução das expectativas segue no radar do Fed.
A confiança do consumidor nos EUA também funciona como termômetro para o consumo, principal motor da economia americana. Caso o indicador mantenha trajetória ascendente, pode sustentar a demanda doméstica, mesmo em um contexto de crédito mais caro.
No balanço geral, os dados de janeiro desenham um quadro de ajuste gradual, no qual o humor das famílias melhora, mas sem eliminar os desafios impostos pela inflação e pelos juros elevados que seguem moldando as decisões econômicas.











