Os juros no Japão permaneceram em 0,75% após decisão do Banco do Japão (BoJ) divulgada na sexta-feira (23/01), mas a mensagem transmitida ao mercado foi menos neutra do que o número sugere. Embora a manutenção da taxa fosse amplamente esperada, a autoridade monetária reforçou que novas elevações seguem no horizonte, condicionadas ao comportamento dos preços e dos salários.
A sinalização ganhou peso porque ocorre poucos meses depois do último ajuste, quando o BoJ elevou os juros de 0,5% para o patamar atual, encerrando décadas de política ultrafrouxa. Desde então, o banco tem calibrado sua comunicação para evitar choques, mas sem abandonar o viés de aperto gradual.
Leitura sobre a inflação no Japão
O Banco do Japão manteve uma avaliação firme sobre a dinâmica inflacionária. A autoridade voltou a destacar que o avanço dos salários tem incentivado empresas a repassar custos trabalhistas aos preços finais. Para o presidente Kazuo Ueda, esse encadeamento exige monitoramento constante para avaliar se o processo se sustenta e em que velocidade ocorre.
Além disso, o BoJ revisou para cima sua projeção do núcleo da inflação ao consumidor para o ano fiscal de 2026, de 1,8% para 1,9%. Segundo o banco, os riscos para preços e atividade seguem equilibrados, o que abre espaço para ajustes adicionais caso o cenário se confirme.
Câmbio, salários e estratégia de decisão
Outro ponto central da decisão envolve o câmbio. O banco reiterou preocupação com um iene depreciado, avaliando que a moeda fraca pode intensificar o repasse dos custos de importação ao consumidor. Essa leitura reforça a disposição de agir preventivamente, mesmo sem um cronograma definido.
Internamente, houve debate. Hajime Takata, membro da diretoria, chegou a defender uma nova elevação consecutiva dos juros. Apesar de não ter obtido apoio suficiente, sua posição evidenciou que o tema já está ativo nas discussões do colegiado.
Ueda também indicou ajustes no processo decisório. Segundo ele, o banco pretende usar informações mais rápidas, como pesquisas corporativas, reduzindo a dependência exclusiva de indicadores tradicionais, que costumam chegar com atraso.
Juros no Japão e o cenário econômico
No relatório trimestral, o Banco do Japão apresentou uma visão mais favorável da economia. A instituição elevou suas projeções de crescimento para os anos fiscais de 2025 e 2026 e manteve a expectativa de recuperação moderada da atividade.
Nesse contexto, os juros no Japão passam a cumprir um papel mais sensível: conter pressões de preços sem comprometer a retomada. A leitura predominante no mercado é que o banco caminha para novos ajustes, mas seguirá avançando com cautela, atento a salários, inflação e câmbio em um ambiente ainda delicado.










