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Mineração na Arábia Saudita ganha fôlego com reservas estimadas em trilhões

A mineração na Arábia Saudita ganhou papel estratégico na disputa por minerais críticos, atraindo os EUA e desafiando a dependência global do refino chinês, em um plano de longo prazo ligado ao Visão 2030.
Imagem de uma mineração para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Mineração da Arábia Saudita.
(Imagem: Albert Hyseni/Unsplash)

A mineração na Arábia Saudita passou a ocupar espaço central nas disputas globais por cadeias estratégicas na quarta-feira (21), após sinais de que minerais críticos voltaram ao radar político dos Estados Unidos. O tema ganhou força em um momento de dependência elevada da China no refino de terras raras, insumos usados em energia limpa, inteligência artificial e defesa.

Hoje, a China responde por mais de 90% do refino global de terras raras e por mais de 60% da mineração, segundo a Agência Internacional de Energia. Esse desequilíbrio expõe fragilidades do Ocidente, sobretudo após Pequim reforçar controles de exportação sobre minerais usados em aplicações militares.

Mineração na Arábia Saudita e a disputa por cadeias estratégicas

A Arábia Saudita tenta ocupar esse espaço ao transformar mineração em política de Estado. O país afirma possuir US$ 2,5 trilhões em reservas minerais, incluindo ouro, cobre, lítio e terras raras como neodímio, disprósio e térbio, essenciais para carros elétricos, turbinas e computação avançada.

Entre 2021 e 2025, o orçamento saudita para exploração mineral cresceu 595%, de acordo com a S&P Global. Apesar disso, especialistas alertam que extrair é apenas o primeiro passo. Além disso, reforçam que construir plantas de processamento pode levar de três a cinco anos — e até 29 anos em algumas jurisdições.

Estratégia mineral saudita vai além da extração

O plano Visão 2030 posiciona a mineração como eixo de diversificação econômica, reduzindo a dependência do petróleo. A proposta inclui desenvolver cadeias industriais completas e apoiar setores como a fabricação de veículos elétricos.

Nesse contexto, a mineradora estatal Maaden anunciou investimento de US$ 110 bilhões em metais e mineração na próxima década. O CEO Bob Wilt afirmou que a companhia busca parcerias internacionais e talentos globais para acelerar a execução.

Analistas avaliam que a infraestrutura energética abundante pode favorecer o país no processamento de minerais extraídos em outras regiões. A proximidade logística com países africanos ricos em recursos e relações históricas com a Ásia Central reforçam essa leitura.

Mineração atrai EUA e levanta dúvidas ambientais

Os Estados Unidos demonstram interesse direto nessa estratégia. Após anos enviando terras raras extraídas internamente para refino na China, Washington busca alternativas. Nesse cenário, a MP Materials firmou parceria com a Maaden e o Departamento de Defesa dos EUA para construir uma refinaria no país, com 49% de participação americana.

Analistas afirmam que combinação de energia confiável e expertise da Aramco pode reduzir custos e redesenhar o mapa global do processamento. Ainda assim, ressaltam que credenciais ambientais seguem em avaliação, especialmente após a posição saudita em debates recentes da ONU sobre transparência na mineração.

No fim, a mineração na Arábia Saudita não busca retorno imediato. Trata-se de uma estratégia de longo prazo para ampliar influência, ganhar espaço em cadeias críticas e reposicionar o país no tabuleiro geopolítico global.

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