A venda da Brex por cerca de R$ 29,2 bilhões colocou uma fintech fundada por brasileiros no radar estratégico de um dos maiores bancos dos Estados Unidos. O acordo com a Capital One foi anunciado nesta semana. Além disso, prevê pagamento dividido entre dinheiro e ações. Segundo a compradora, a transação deve ser concluída ainda neste ano.
Fundada em 2017 e sediada em São Francisco, a Brex iniciou sua trajetória com cartões de crédito corporativos voltados a startups. Com o avanço da operação, no entanto, a empresa ampliou o escopo. Passou, então, a oferecer software de gestão de despesas. Além disso, expandiu para soluções de pagamentos B2B, hoje presentes em mais de 50 países.
Lógica da Capital One para venda da startup
Para a Capital One, a operação funciona como um atalho estratégico. O objetivo é acelerar a presença em pagamentos corporativos digitais. Em comunicado, Richard D. Fairbank, fundador e CEO do banco, afirmou que a aquisição reforça a aposta em tecnologia financeira voltada a empresas. Segundo ele, a integração ocorre sobre uma base de clientes já consolidada.
Nesse contexto, a expectativa é combinar a plataforma da Brex com a análise de crédito e a escala operacional do banco. Com isso, a oferta de soluções financeiras tende a se ampliar. O foco são companhias de médio porte nos Estados Unidos. Trata-se de um segmento onde, nos últimos anos, a concorrência entre bancos tradicionais e fintechs ganhou intensidade.
Aquisição da fintech Brex e continuidade da gestão
Outro ponto central do acordo é a continuidade da liderança. Pedro Franceschi seguirá no comando da empresa. Ele permanece como CEO da Brex após a conclusão da transação, agora dentro da estrutura da Capital One. Já Henrique Dubugras, cofundador, atua desde 2024 apenas como presidente do conselho administrativo.
Em declaração, Franceschi afirmou que a união permite acelerar o desenvolvimento de produtos. Isso ocorre ao combinar tecnologia financeira, marca e capacidade de distribuição. Ainda assim, avaliações sobre ganhos de escala e velocidade dependem da execução do plano de integração. Até o momento, não há cronograma detalhado divulgado.
Antes da Brex, os dois empreendedores já haviam atuado juntos. Em 2013, criaram a Pagar.me, vendida à Stone em 2016. Esse histórico reforça a capacidade dos fundadores de estruturar plataformas de pagamento escaláveis em ambientes competitivos.
Venda da Brex e o sinal para o mercado
A venda da Brex ocorre em um cenário de consolidação no setor de fintechs B2B. Nesse ambiente, aquisições passaram a substituir rodadas privadas como principal via de crescimento. Para analistas do mercado financeiro, operações desse porte indicam uma estratégia clara. Grandes bancos buscam absorver inovação pronta e, assim, reduzir o tempo de desenvolvimento interno.
No curto prazo, a venda da Brex tende a aumentar a pressão competitiva sobre outras plataformas de gestão de despesas e cartões corporativos. No médio prazo, porém, o sucesso da integração será acompanhado de perto. Ele servirá como termômetro da capacidade dos bancos tradicionais de incorporar tecnologia sem perder agilidade.











