As vendas em supermercados decepcionaram em dezembro de 2025. Tradicionalmente, o período registra maior fluxo de consumidores, impulsionado pelas festas de fim de ano e pelo pagamento do 13º salário. Ainda assim, o mês terminou como o pior do ano para o varejo de alimentos. O resultado contrariou o padrão histórico do setor.
Mesmo com a desaceleração da inflação de alimentos a partir de junho, o consumo não reagiu. Esse alívio nos preços ajudou a inflação geral a fechar o ano abaixo do teto da meta. Ainda assim, os dados não se traduziram em mais compras. Segundo a Scanntech, o faturamento do varejo alimentar caiu 2,5% em dezembro na comparação anual. Ao mesmo tempo, o volume vendido recuou 5,5%, indicando ajuste direto no comportamento do consumidor.
Pressão estrutural com queda das vendas
De acordo com a Scanntech, que monitora 13,5 bilhões de tíquetes por ano, dezembro de 2025 foi o único mês do ano com retração de receita no varejo alimentar. Além disso, o resultado rompeu uma sequência de três anos consecutivos de crescimento no período. Isso sugere uma alteração mais profunda no padrão de consumo.
Apesar do avanço da renda média, o consumidor manteve uma postura defensiva. Assim, reduziu volumes e priorizou itens essenciais. Ao mesmo tempo, a percepção de que o orçamento segue apertado continuou pesando nas decisões tomadas no caixa.
Outro fator relevante foi o aumento do endividamento das famílias. Parte dessa pressão está associada à expansão das apostas online. Segundo dados do Banco Central, elas movimentam mais de R$ 30 bilhões por mês. Com isso, recursos antes destinados ao consumo cotidiano passaram a ser direcionados a outras finalidades.
Consumo migra para serviços e reduz espaço dos alimentos
Economistas observam que a estrutura do orçamento familiar mudou ao longo dos anos. Em dezembro de 2025, os serviços livres responderam por 48,7% dos gastos das famílias. Em 2008, essa fatia era de 33,6%.
Nesse mesmo intervalo, a participação dos bens caiu de 66,4% para 51,3%. Como resultado, o espaço disponível para categorias como alimentos ficou menor. Esse deslocamento ajuda a explicar por que a melhora do ambiente inflacionário não se converteu, de forma automática, em mais consumo nos supermercados.
Além disso, juros elevados ampliaram a cautela. Soma-se a isso uma confiança ainda fragilizada. Mesmo com a desaceleração recente, cerca de metade dos brasileiros segue apontando a inflação como principal preocupação, segundo avaliações do setor.
Vendas em supermercados forçam promoções agressivas
Diante de estoques elevados após a frustração de dezembro e de um início de janeiro fraco, redes intensificaram ações promocionais. A estratégia passou a combinar descontos mais profundos com produtos de alta visibilidade para atrair o consumidor de volta às lojas.
As vendas em supermercados, portanto, entram em 2026 sob pressão. O cenário inclui um consumidor mais seletivo, custos fixos elevados e maior disputa pelo orçamento das famílias. Nesse contexto, o varejo precisará ajustar estratégias em um ambiente no qual o volume deixou de ser garantido, mesmo nos períodos historicamente mais fortes.











