O crescimento do crédito no Brasil perdeu tração ao longo de 2025, mas manteve expansão relevante mesmo em um ambiente de juros elevados. Na quinta-feira (29/01), os dados oficiais do Banco Central devem confirmar avanço de 9,4% no saldo total do crédito no ano, segundo estimativas da Pesquisa Especial de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
O resultado indica uma desaceleração gradual em relação a 2024, quando o crédito havia avançado 11,5%. Ainda assim, a leitura do setor bancário é de que o sistema financeiro seguiu operando com volume elevado de operações, sustentado por linhas específicas e pela sazonalidade do consumo no fim do ano.
Papel das empresas no crescimento do crédito
Entre os segmentos, as empresas lideraram a expansão mensal em dezembro, com alta estimada de 2,4% na carteira. As operações com recursos livres avançaram 3,2%, impulsionadas pelo aumento do uso de linhas de desconto de recebíveis e antecipação de faturas de cartão, comuns no encerramento do ano fiscal.
No entanto, ao observar o acumulado de 12 meses, a carteira livre destinada às empresas mostra perda de fôlego. A expansão anual ficou em 9,5%, refletindo juros mais altos, elevação do IOF e maior concorrência do mercado de capitais, além da presença de linhas direcionadas.
Já o crédito direcionado manteve desempenho mais firme. Em 2025, esse segmento cresceu 16,4%, apoiado por programas governamentais e operações com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Expansão do crédito bancário e o consumo das famílias
No caso das famílias, o saldo de crédito avançou 0,8% em dezembro, puxado principalmente pelos recursos livres. O destaque ficou para o cartão de crédito à vista, além de leve reação nas operações de financiamento de veículos, segundo a Febraban.
Em 12 meses, a carteira livre para pessoas físicas cresceu 12,6%, mesmo patamar de 2024. Houve, porém, mudança na composição, com maior peso de linhas rotativas e desaceleração do crédito pessoal tradicional.
Os recursos direcionados às famílias avançaram 9,1% no ano, abaixo do ritmo observado em 2024. A Febraban associa esse comportamento ao aumento da inadimplência no crédito rural, o que reduziu o apetite das instituições financeiras por esse tipo de operação.
Crescimento do crédito no Brasil e as concessões
As concessões de crédito tiveram alta nominal de 16% em dezembro, influenciadas pelo maior número de dias úteis. Após ajuste, o avanço mensal foi de apenas 0,2%, indicando estabilidade na margem. No acumulado de 2025, as concessões cresceram 8,1%, abaixo dos 15,5% registrados em 2024.
O crescimento do crédito no Brasil seguiu próximo de dois dígitos em 2025, mesmo com política monetária restritiva. Segundo ele, em 2026, a tendência é de continuidade do processo de desaceleração, em linha com uma economia menos aquecida.











