Entre o futebol e a fronteira: o que explica a alta das reservas da Copa do Mundo

As reservas para a Copa do Mundo avançam após o sorteio e mostram que torcedores seguem viajando para a América do Norte, mesmo com ruídos políticos e cautela sobre segurança e imigração.
Imagem de uma bola e uma taça para ilustrar uma matéria jornalística sobre as Reversas para a Copa do Mundo.
(Imagem: Fauzan Saari/Unsplash)

As reservas para a Copa do Mundo ganharam impulso após a divulgação da programação do torneio de acordo com informações da Amadeus. O salto ocorre mesmo com relatos de queda no turismo europeu aos Estados Unidos após a eleição presidencial de novembro de 2024, criando um contraste relevante para o setor de viagens.

De acordo com a empresa de tecnologia de turismo, 37% das compras de passagens para o período do Mundial ocorreram no mês seguinte ao sorteio. Entre esses viajantes, 18% são britânicos, o que posiciona o Reino Unido como um dos principais emissores de demanda para o evento que será disputado entre 11 de junho e 19 de julho.

Reservas para a Copa do Mundo e o efeito do calendário

A concentração das reservas da Copa do Mundo reforça o peso do calendário esportivo sobre decisões de viagem. O maior pico diário foi registrado para a estreia em Nova York, entre Brasil e Marrocos, quando mais de 2.500 bilhetes aéreos foram emitidos em um único dia.

Esse comportamento indica que partidas específicas funcionam como gatilhos de compra, sobretudo quando envolvem seleções tradicionais. Para a Amadeus, o padrão se repete em jogos com alto apelo global, o que ajuda companhias aéreas a ajustar capacidade de voos, tarifas e rotas internacionais.

Demanda turística do Mundial supera o ruído político

Embora viagens de europeus aos EUA tenham enfraquecido após a eleição presidencial, torcedores da Inglaterra e da Escócia voltaram ao radar. Analistas apontam que o interesse pelo espetáculo esportivo tem pesado mais do que o ambiente político, ainda que exista cautela em relação à política migratória, às fronteiras e às ações do ICE.

Para analistas do setor, o apelo esportivo do torneio segue determinante na decisão dos torcedores, que priorizam a presença dos principais jogadores, independentemente do ambiente político do país anfitrião. Ainda assim, fatores como segurança, validade dos seguros de viagem e estabilidade nas cidades-sede continuam pesando no planejamento de viagens para os meses de junho e julho.

Copa do Mundo: reservas crescem no Canadá e no México

O avanço das reservas para a Copa do Mundo não se limita aos Estados Unidos. Dados mostram aumento também no Canadá e no México, com destaque para a ocupação hoteleira na Cidade do México. Nas noites que antecedem três partidas, a taxa média chegou a 21%, contra 4% no mesmo período do ano anterior.

O contraste com eventos recentes, como os Jogos Olímpicos de Paris, reforça que megaeventos não asseguram, por si só, um fluxo turístico elevado. Ainda assim, no caso do Mundial, a combinação entre sorteio, torcedores internacionais e planejamento antecipado tem sustentado a demanda e redesenhado o mapa do turismo na América do Norte.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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